""""Os Pressupostos Míticos de Jung na Leitura do Destino: Moíra"""".
Zilda Marengo Piacenti Gorresio
- Autor
- Zilda Marengo Piacenti Gorresio
- Orientador(a)
- Rachel Gazolla de Andrade
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1999
A escolha desse tema ocorreu-nos depois de vinte anos de prática como psicoterapeuta de orientação junguiana. Durante esses anos tivemos a oportunidade de entrar em contato com o destino de muitas vidas. Acreditamos que não há profissão atual que nos aproxime mais da confrontação com o destino do que essa. Nós, psicoterapeutas, defrontamo-nos constantemente com vidas atormentadas por sofrimentos de toda ordem. O sofrimento humano causado quer pela perversidade, quer pela família, quer por algum tipo de catástrofe, ou por qualquer outra coisa sem que o homem nada possa fazer a respeito em muitas situações, levou-nos a pensar sobre o destino. O sofrimento suscita-nos a pergunta sobre o significado, sobre o sentido de uma vida humana. Que estranhos caminhos são os caminhos do destino! Aonde que ele nos conduzir? Que estranha mão invisível é essa, que tece com tanta determinação, por vezes, tanta dor, e por vezes tanta felicidade, aqueles momentos plenos em que a vida parece fazer total sentido? Em última análise, tudo isso nos remeteu a pensar sobre o destino como algo que nos ultrapassa, um conhecimento absoluto ou um programa inteligente que se desdobra no tempo e se manifesta como acontecimentos e imagens internas, e contra o qual nossa vontade muitas vezes se vê rendida. Foi na tentativa de querer entender essa inteligência que nos é obscura e que parece engendrar todos os fatos da vida e entrelaçá-los de maneira significativa, que nos propusemos a pesquisar o destino. O objetivo dessa dissertação é pesquisar como Jung entendeu o destino, esse mecanismo inteligente e ordenador da vida como um todo. Seguindo o pensamento de Jung, que entende que por detrás de cada teoria psicológica, ou filosófica, subjaz um mito, fomos buscar qual o mito que funda sua concepção de destino. Na introdução, mostramos a relação de mito e inconsciente para Jung. Abordamos, introdutoriamente, os pressupostos filosóficos de Jung, na compreensão do mito, na compreensão do inconsciente e da consciência, que se radicam no romantismo alemão, e explicamos o porquê da escolha de Moîra grega, como o mito fundante da concepção de destino de Jung. Na primeira parte de nosso trabalho, procuramos definir o que é mito segundo algumas interpretes e trabalhamos com Moîra, concepção mítica de destino na Grécia, nas obras de Homero e principalmente em Hesíodo. Na Segunda parte, abordamos a psicologia de Jung da perspectiva do destino, tecendo uma comparação com Moîra na Teogonia de Hesíodo.
