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Dissertações

Passado, presente e futuro: o tempo da consciência e a consciência do tempo no pensamento de Santo Agostinho.

José Renivaldo Rufino

Dissertação
Autor
José Renivaldo Rufino
Orientador(a)
Fernando Raul de Assis Neto
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO — UFPE
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2003
2003José Renivaldo Rufino. Passado, presente e futuro: o tempo da consciência e a consciência do tempo no pensamento de Santo Agostinho.. 2003. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, PE. Orientador(a): Fernando Raul de Assis Neto.2

Santo Agostinho teoriza sobre o tempo partindo de dois pontos específicos. O primeiro é aquele que considera o tempo em suas modalidades de presente, passado e futuro como existente apenas na consciência: é o tempo subjetivo. O segundo momento é aquele em que sua teoria sobre o tempo toma um direcionamento epistemológico: o filósofo exploa o tempo objetivo, o tempo exterior à consciência. Em ambos os momentos, o filósofo determina a validade da realidade do tempo - tanto em seu aspecto subjetivo, quanto em seu aspecto objetivo - sempre com base no primado do presente. O presente é, para ele, o próprio fundamento do tempo, determinando, inclusive, as duas outras modalidades: o passado é validado pela visão presente das coisas passadas e o futuro pela visão presente das coisas futuras. A base criacionista da tradição hebraico-cristã, da qual parte o filósofo para desenvolver sua teoria, é primordial na construção do tempo objetivo. O tempo, como criatura, desvincula-se da consciência do homem e, platonicamente, vincula-se à mente de Deus, criador do tempo. É por isso que o tempo pode ser visto em sua condição de um elemento exterior e anterior à consciência, pois, como criatura, tem seu princípio ligado ao próprio princípio do mundo e está vinculado, apenas, à mente de Deus. Agostinho é levado à pesquisa sobre o princípio do tempo por conta da controvérsia maniquéia. Os maniqueus queriam saber o que é que um Deus criador fazia antes de criar o tempo. O filósofo rechaça a idéia como carente de fundamento, uma vez que não se pode falar de um """"antes"""" antes do tempo. Finalmente, ao relacionar o tempo com a eternidade, Agostinho também parte do presente, que lhe fornece vestígios da eternidade - vestigium aeternitatis -, através do que ele mesmo denomina de """"partículas fugitivas"""". A mutabilidade, própria do tempo e do mundo, contrasta com a imutabilidade, própria da eternidade e destino final do homem.