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Dissertações

Peirce e Berkeley: entre a linguagem e o real

Marina Alexiou

Dissertação
Autor
Marina Alexiou
Orientador(a)
Ivo Assad Ibri
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2002
2002Marina Alexiou. Peirce e Berkeley: entre a linguagem e o real. 2002. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): Ivo Assad Ibri.2

A pesquisa objetiva demonstrar, como dissertação, a existência de uma relação entre o real e a linguagem, a partir de um estudo da resenha de Charles S. Peirce do The Works of George Berkeley...Nessa resenha deparamos com a teoria da cognição integrada na teoria da realidade, além do desenvolvimento da questão acerca do realismo e nominalismo...É na pergunta: """"Os universais são reais?"""" que se origina toda a reflexão e argumentação realista de Peirce em relação àquela nominalista de Berkeley, sendo por isso discutidas nessa pesquisa, principalmente, a realidade das idéias gerais e abstratas na constituição da linguagem e a necessidade de uma substância material na formação das idéias na mente...Como filósofo realista, Peirce vai combater os fundamentos imaterialistas e também a extrema subjetividade da doutrina de Berkeley. Isso porque o realismo de Peirce implica não apenas uma consideração de um objeto real, independente do mundo exterior, mas um reconhecimento da realidade dos universais. E isso se contrapõe à Berkeley, para quem as idéias, de um modo geral, constituem-se em sensações ou combinações de sensações, não havendo lugar em sua doutrina para a existência das idéias abstratas...Desse contexto, Berkeley irá extrair os seus argumentos para um idealismo de caráter subjetivo, conhecido pela máxima """"esse é percipi"""", que propõe como solução à existência da matéria, um recolhimento à interioridade das idéias, negando a matéria como algo sem sentido, levando à divindade a causa do nosso pensamento...Por sua vez, Peirce propõe como hipótese mais sensata, uma conaturalidade entre sujeito e objeto, fazendo-os substancialmente idealidade; onde o objeto determina sua conduta geral na representação e essa generalidade é correlata à generalidade do pensamento e, portanto, da linguagem...Assim, ao longo desse trabalho, perceberemos a diferença entre os argumentos de Berkeley que demonstram que vivemos num mundo de ficções criadas pela linguagem através do uso das idéias abstratas, que para ele formam um labirinto lingüístico, e os de Peirce, para quem a linguagem não ordena, mas antes é símbolo da ordem existente nos cosmos, condição de possibilidade para sua existência e coerência.