Pensamento e autoconsciência: Um estudo fichteano nos limites da filosofia
THIAGO SUMAN SANTORO
- Autor
- THIAGO SUMAN SANTORO
- Orientador(a)
- Eduardo Luft
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
A presente dissertação investiga a Doutrina da Ciência, de Fichte, com o objetivo de esclarecer o papel da relação entre pensamento e autoconsciência na tentativa de fundamentação última do conhecimento, bem como os impasses gerados por uma interpretação unívoca destes dois conceitos. Primeiramente, faço uma introdução sobre o tema, relacionando o problema que Fichte considera central à sua Doutrina-da-Ciência - a saber, como é possível fundamentar nosso conhecimento racional sistemático de uma forma absoluta e através de um único princípio - à origem do mesmo dentro da crítica kantiana, especialmente no Paralogismo da Razão Pura. Segue uma reconstrução da crítica cética a toda tentativa de fundamentação última do conhecimento, condensada no assim chamado trilema de Münchhausen: arbitrariedade, má circularidade e regresso ao infinito, como indica o trilema, parecem constituir a própria forma-limite do processo racional de justificação. Visto sob a ótica do princípio postulado por Fichte, a autoconsciência, esta tríade problemática pode ser convertida em díade, isto é, a crítica cética denota a incompatibilidade epistêmica entre mediação e imediatez. A resposta de Fichte ao impasse da crítica cética diz, de duas formas, a mesma coisa: precisamos postular um conhecimento imediato que antecede qualquer raisonnement reflexivo. Para tanto, Fichte admite um primado da práxis sobre o discurso, mostrando que todo pensamento é, antes, pura ação livre. Da mesma forma, toda autoconsciência começa a partir de uma consciência imediata do Eu. Infelizmente, o objetivo mesmo do projeto fichteano ? a fundamentação última do saber ? parece estar sempre alienado de sua natureza filosófica: explicitar este pressuposto imediato e incondicionado de todo o saber, isto é, pensar a própria autoconsciência, mostra-se, através da mediação inerente a qualquer argumentação, como contra-senso.
