Physiologia : investigação em torno do nascimento e da norte no pensamento epicúreo
EVERTON DA SILVA ROCHA
- Autor
- EVERTON DA SILVA ROCHA
- Orientador(a)
- Markus Figueira da Silva
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE — UFRN
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
Esse estudo apresenta uma análise do papel da physiologia, como investigação em torno do nascimento e da morte dentro da filosofia de Epicuro. O objetivo principal consistiu em percorrer o trajeto feito pelo sábio epicúreo partindo dos conceitos de átomo e vazio, até alcançar a realidade sensível, enfatizando as conseqüências praticas da investigação da natureza no modo de viver do filósofo. Epicuro acreditava que a chave para o conhecimento das coisas estava em investigá-las através da estrutura sensível do corpo e da memória, que apontam para os fenômenos como reais, mas procurando diferenciá-los; o homem também se torna fenômeno para si mesmo, respondendo por um modo de ser que é partilhado, em sua dimensão elementar, por tudo que continuamente está em movimento nos processos de geração e corrupção. O atomismo epicúreo fundamenta a crença na mortalidade da alma, suas bases físicas promovem uma associação necessária entre o tema da corrupção e dissolução dos corpos e a natureza da alma. Ao longo do percurso veremos como o conceito de limite assume um lugar central no pensamento epicúreo, principalmente no que concerne ao desejo, essa relação é traçada tendo sempre em vista a natureza. Tanto que por outro lado é justamente a ausência de limites em relação aos desejos que costuma trazer dor e sofrimento a vida humana. A cura é a filosofia, o tratamento terapêutico epicúreo remove as falsas crenças e os desejos vãos. A noção de limite, incluindo prazer e dor, nascimento e morte são reconhecidos como os limites naturais da vida. O sábio com base nesse conhecimento pode dissipar as crenças nascidas da ignorância, e traçar o limite das coisas possíveis e das coisas impossíveis. Pretendemos demonstrar que a crença nos fundamentos da physiología epicúrea constrói uma imagem da alma humana como um movimento contínuo integrante, junto com a carne, de uma unidade, um corpo vivo, um todo orgânico com os limites estabelecidos pelo nascimento e pela morte, e que ao longo do tempo pode gozar do prazer natural de viver, em virtude da liberdade que desfruta, principalmente, por ser sabedor que a morte nada é para o sábio.
