- Autor
- Augusto César Feitosa
- Orientador(a)
- Acylene Maria Cabral Ferreira
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
A dissertação ressaltou, a partir da análise que Martin Heidegger desenvolve acerca do pensamento de Heráclito de Éfeso, a co-pertinência das palavras gregas alétheia, lógos e physis, sob a perspectiva do originário. Esta é destacada na co-relação presente tanto numa íntima relação que une tais palavras, fazendo com que o sentido de uma implique o da outra, quanto nas tensões inerentes ao sentido ambivalente que elas expressam. A pesquisa foi centrada primeiramente na obra Heráclito, de Heidegger, mas estendeu-se a outras obras do filósofo que remetem a questão ora ressaltada. O presente estudo objetivou identificar, na co-relação destas palavras, o problema central da filosofia heideggeriana, que é a questão da diferença ontológica, o qual repercute na problemática da verdade como desvelamento. A consistência e a abrangência da interpretação de Heidegger fundamentam-se na proximidade ao pensamento de Heráclito, que o faz perceber ser o diferente aquilo que mais radicalmente se co-pertence com a identidade. Trata-se de uma relação de mesmidade que não se estabelece, como igualdade para chegar à identidade. O que emerge da luta dos contrários não é simplesmente a contradição, mas o mesmo. O caráter da retomada do pensamento de Heráclito faz Heidegger visualizar um redimensionamento para com a experiência do pensar presente nas palavras gregas fundamentais physis, lógos e alétheia. Desse modo, o fundamento da verdade, sob a perspectiva do originário, está para Heidegger amparado primordialmente na identidade através da diferença. Assim, na análise da simultaneidade dos momentos de tensão que constituem a verdade originária de velamento e desvelamento, de ser e verdade, emerge a co-relação.
