- Autor
- Rodrigo Candido Rodrigues
- Orientador(a)
- Sônia Teresinha Felipe
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Embora implicitamente presente, principalmente em O Liberalismo Político, a não-razoabilidade em nenhum momento é problematizada de forma direta e autônoma por Rawls. Com efeito, é significativo que o autor limite-se a fazer alguns comentários sobre o problema, sempre atribuindo ao mesmo um caráter de inevitabilidade fática do mundo político. O construtivismo teórico intentado por ele, de fato, precisa restringir sua abordagem ao denominado fato do pluralismo razoável, deslocando o fato do pluralismo como tal como uma espécie de resíduo teórico, se bem que pretensamente controlado e reduzido a uma influência sócio-política limitada. Aliás, em minha interpretação, para Rawls sua teoria será tanto mais forte quanto menor ameaça representar à estabilidade democrática no plano não-ideal o âmbito de não-razoabilidade. Entretanto, no que diz respeito aos conceitos de autonomia política e legitimidade no uso do poder político para uma eventual contenção desse espectro de não-razoabilidade, a justiça como eqüidade de Rawls não nos parece ter muito a dizer.
