Podemos fazer ciência sem teorias? Um estudo sobre o realismo de entidades e o anti-realismo de teorias de Hacking e Cartwright
Jonathan Clovis Timothée Croteau
- Autor
- Jonathan Clovis Timothée Croteau
- Orientador(a)
- Luiz Henrique de Araújo Dutra
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
O debate tradicional entre realismo e anti-realismo científico é caracterizado de acordo som uma tematização tripartite que envolve três ingredientes: o ingrediente metafísico, o ingrediente semântico e o ingrediente epistemológico...Discutimos como Hacking fragmentou este debate ao sustentar, independentemente, um anti-realismo de teorias no nível da representração, e um realismo de entidades no nível de intervenção. Argumentamos que seu realismo de entidades é muito mais forte que o realismo científico tradicional em relação à comprovação da existência das entidades teóricas, na condição que seu enfoque na intervenção seja suficientemente amenizado de tal maneira a incluir formas de observação """"passiva"""" mais fundamentais. No entanto, alegamos que a entidade que a atividade experimental não pode ser realizada sem o uso de teorias...A filosofia da primeira Cartwright, que sustentou também um realismo de entidades e um anti-realismo de teoria em How the laws of physics lie, é analisada e comparada com a de Hacking. A este respeito, julgamos que a filosofia experimental de Hacking resolve a questão da existência das entidades teóricas melhor que a filosofia de Cartwright baseada nas expelicações causais. Porém, Cartwright sustentaria um anit-realismo de teorias mais elaborado, que demonstraria como as teorias são verdadeiras em relação a objetos abstratos nos modelos, mas falsas em relação a objetos no mundo...Finalmente, discutimos como a segunda Cartwright de The dappled World passou a sustentar um """"Quase realismo causal de teorias"""" ao defender a objetividade das capacidades da natureza e ao adotar uma visão mais realista dos modelos, não tendo mais o realismo de teorias como rival, mas o reducionismo e o universalismo. Julgamos que este quase realismo de teorias é um bom retrato da maior parte da atividade científica. No entanto, argumentamos que sua rejeição do universalismo é injustificadam, pois este é o fruto de uma outra atividade científica complementar, que se desenvolve paralelamente às diversas ciências particulares.
