Popper: crítico do justificacionismo clássico e do ceticismo epistemológico.
Ricardo da Silva Vieira
- Autor
- Ricardo da Silva Vieira
- Orientador(a)
- ALBERTO OLIVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
O presente trabalho consiste numa apreciação crítica do Justificacionismo Clássico, representado por Bacon e Descartes, e do Ceticismo Epistemológico, representado por Hume, bem como em propor o Falibilismo metodológico de Popper como uma alternativa razoável aos modelos metacientíficos supracitados. Para tanto, servimo-nos da hermenêutica de Popper como fulcro teórico do desenvolvimento crítico de nossa dissertação. Procuramos salientar que a crítica de Popper dirigida ao Justificacionismo Clássico seja na sua versão empirista ou racionalista, tenciona mostrar que o conhecimento, conquanto seja objetivo, não é algo de que possamos ter certeza. Ou seja, todo conhecimento dotado de conteúdo informativo é sempre conjetural e, portanto, sujeito a vir se mostrar falso. Salientamos, também, que a crítica de Popper, dirigida ao Ceticismo Epistemológico, consiste em considerar que, conquanto Hume esteja certo quanto à impossibilidade de justificarmos logicamente a indução, a falta de fundamento lógico das inferências indutivas não implica que as teorias de conteúdo empírico devam ser consideradas como instâncias de caráter não racional, isto é, instâncias guiadas pelo poder instintivo da formação de hábito. Neste trabalho destacamos que Popper, como Hume, é cético quanto à possibilidade de produzirmos conhecimento genuíno indutivamente, mas, ao contrário de Hume, sustenta que a ciência não é indutiva e, assim, não se abala com as críticas humeanas da indução. Por fim, apresentamos o método hipotético-dedutivo, defendido pelo Falibilismo Metodológico Popperiano, como uma estratégia defensável de superação do otimismo epistemológico exagerado de Bacon e Descartes e do pessimismo epistemológico de Hume.
