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Dissertações

Pragmatismo e esfera pública. Um diálogo entre Richard Rorty e Jürgen Habermas”.

HELSON DE SOUSA NETO

Dissertação
Autor
HELSON DE SOUSA NETO
Orientador(a)
BENTO ITAMAR BORGES
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA — UFU
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012HELSON DE SOUSA NETO. Pragmatismo e esfera pública. Um diálogo entre Richard Rorty e Jürgen Habermas”.. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, MG. Orientador(a): BENTO ITAMAR BORGES.2

Jürgen Habermas, ao tratar da teoria pragmática, tentara resolver problemas constatados em sua obra Mudança estrutural da esfera pública (1962). Aqui, nosso objetivo geral é avançar em estudos que contribuam para a continuidade do programa da virada lingüística proposta por Habermas assim como para a compreensão de seu debate com Richard Rorty a respeito dos temas “verdade e justificação”. A nossa preocupação inicial foi recorrer ao pragmatismo clássico, aqui representado por Charles Sanders Peirce, William James e John Dewey, e ao pragmatismo contemporâneo, que dão respaldo a nosso trabalho, visto que, tanto Jürgen Habermas quanto Richard Rorty recorrem – cada um a sua maneira - a essas duas fases de uma tradição do pensamento norte-americano para o desenvolvimento de seus respectivos trabalhos. Visto que o pragmatismo surge com a proposta de tentar superar as insuficiências da metafísica e da epistemologia, por isso tanto Habermas quanto Rorty recorrem ao pragmatismo para realizarem a virada pragmática, nós procuramos discorrer a respeito da crítica que, tanto Habermas, quanto Rorty fazem à visão representacionalista do conhecimento e da verdade que a metafísica e a epistemologia clássica propõem. Afinal, estas duas escolas representam o cerne da discussão a respeito do que é verdade e do que é justificado. Como consequência desta discussão nós observamos que tanto Habermas quanto Rorty convergem para a proposta de que a expressão linguística é o meio pelo qual a representação a representação e o conhecimento se dão, em que a verdade só pode ser justificada racionalmente e não na origem das representações como propõem a metafísica e a epistemologia. Se por um lado Habermas e Rorty concordam neste ponto, por outro ambos discordam a respeito da questão da verdade. Para Habermas, é necessário que verdade e justificação caminhem juntas, entretanto, segundo Rorty, esta caminhada é inútil, visto que, se algo é verdadeiro não precisa ser justificado ou se algo está bem justificado não significa que a justificação implique que algo seja verdadeiro. O cerne desta última discussão tem a sua origem no uso acautelador do predicado verdade. Desta forma, nosso objetivo é entender o motivo pelo qual estas divergências ocorrem, isto é, porque Habermas o defende e Rorty não. Dentro da discussão acerca da verdade e justificação Habermas inova ao propor o “modelo ideal de fala”. Assim, nós procuramos evidenciar o que é este modelo e como o mesmo contribui para o consenso acerca da verdade e da justificação, e quais as interpretações que Rorty faz deste conceito. Por fim, como Habermas considera que a relação entre verdade e justificação é uma relação de práticas de linguagem, nosso desafio foi entender como esta questão, assim como sua proposta de uma virada pragmática melhora a compreensão do conceito de esfera pública ao mesmo tempo em que é um esforço para resolver os problemas que a mesma apresenta.