PROCESSOS INFERENCIAIS: CONTRIBUIÇÕES DAS CIÊNCIAS COGNITIVAS.
ODETE MARIA CORRÊA CORDEIRO
- Autor
- ODETE MARIA CORRÊA CORDEIRO
- Orientador(a)
- HÉRCULES DE ARAÚJO FEITOSA
- Universidade
- UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO/MARILIA — UNESP/MAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
Esta dissertação investiga os processos de inferência – dedução, indução e abdução – nos seres humanos, e os compara com as contribuições tradicionais dos procedimentos de inferência aplicados nas ciências cognitivas, até resultados originados recentemente. Para essa investigação, apresentam-se primeiro os processos de inferência; mostram-se, então, relatos de Varela sobre o percurso seguido por alguns estudiosos que pretenderam definir a noção de cognição; e destacam-se estudos sobre os sistemas dinâmicos realizados por alguns autores como Bertalanffy, Kelso, Prigogine e outros. Pode-se caracterizar a abdução como surpresa, a possibilidade ainda indefinida; mas para chegar-se a explicações do fato surpreendente usam-se processos dedutivos para confrontação com o que já é conhecido e processos indutivos com os quais generaliza-se o fato. Existe um terceiro elemento que liga idéias possíveis a idéias factuais existentes e, então, interpreta-se essa nova idéia, ou como pertencente a alguma lei já conhecida, ou como alguma lei ou hábito novo. A ciência cognitiva clássica estuda a cognição conforme o cognitivismo, isto é, a partir de símbolos e regras pré-definidas. Os sistemas que seguem os modelos da ciência cognitiva clássica não fazem observações empíricas sobre o mundo em que estão inseridos. A abordagem teórica que estuda a cognição ou o comportamento inteligente como resultado da interação direta do indivíduo com o ambiente é a ciência cognitiva dinâmica ou cognição situada e incorporada. Segundo estudiosos dessa abordagem, o sistema cérebro-corpo-ambiente é que deve ser observado para o entendimento da cognição. Nessa abordagem, tenta-se explicar os comportamentos do senso comum, ou as reações que envolvem interação com o ambiente como, por exemplo, ir até uma livraria comprar um livro. A ciência cognitiva dinâmica não explica comportamentos que envolvem mais racionalidade, como jogar xadrez, porém investiga a cognição de forma mais empírica. As simulações artificiais que estão sendo desenvolvidas atualmente não possuem ainda a dinâmica e a flexibilidade que o ser humano alcançou durante sua evolução histórica, com propriedades que possibilitam a sua existência, sobrevivência e adaptação. Este trabalho se destina ao entendimento destas relações cognitivas ao apontar avanços, fracassos e limites. Avanços na elaboração artificial de modelos para a abdução começam a ser buscados, mas deve-se reconhecer que se está ainda muito distante de situações convincentes de sua realização. A elaboração artificial de modelos e simulações apresenta muitas dúvidas e questionamentos em relação à equivalência entre homem e máquina, desde questões éticas sobre a criação de computação inteligente até a constatação de severas restrições que impedem o sucesso das simulações....Palavras-chaves: processos de inferência, ciência cognitiva, sistemas dinâmicos.
