PROUST: SOBRE A OBRA E A MÚSICA. REFLEXÕES SOBRE ARTE, TEMPORALIDADE E MEMÓRIA
BERNARDETE OLIVEIRA MARANTES
- Autor
- BERNARDETE OLIVEIRA MARANTES
- Orientador(a)
- FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Apesar de ser um trabalho mesclado pela arte literária, a """"Recherche"""" de Proust, e pela filosofia da duração contínua de Bergson, literatura e filosofia aqui não se confundem nem se imiscuem em favor de alguma idéia subjacente de identidade comum; contrário a uma concepção simbiótica entre as matérias, ou a fazer da literatura filosofia e vice-versa, o que se procurou foi evolver a reflexão em duas dimensões distintas mas que, além de simpáticas entre si, ainda nutrem-se reciprocamente. A literatura proustiana assume a preponderância no processo, pois é dela que promana o objeto que conduzirá nossas comnsiderações; logo, advém da """"Recherche"""" o objeto escolhido para investigação, assim como sua estética exposta na obra; a filosofia bergsoniana, apartada das ponderações literárias e não tendo uma estética formalizada, é o ponto de apoio que operacionaliza indiretamente as reflexões. O objeto escolhido é uma peça musical ficcional que não nos é possível apreciar através de sua audição; porém, e dada sua grandeza inventiva, ela transcendeu as fronteiras da ficção (seu domicílio) e nos permitiu pensá-la como entidade real; o referido símbolo é a sonata de Vinteuil presente na """"Recherche"""" de Proust; ela será nosso """"grund-motiv"""" que estabelece as diretrizes da reflexão filosófico-literária; os desdobramentos advindos dos estudos acerca deste objeto músico-ficcional apontam para as questões obra de arte e temporalidade; na obra proustiana a sonata sintetiza o modelo de obra-prima e tal concepção vincula-se ao conceito de permanência no tempo; por outro lado, no pensamento bergsoniano a arte musical foi modelar e o filósofo, em várias ocasiões, lançou mão dela para ilustrar seu pensamento.
