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Dissertações

Racionalidade Científica, Paraconsistência e Quase-Verdade

Gilson Maicá de Oliveira

Dissertação
Autor
Gilson Maicá de Oliveira
Orientador(a)
Décio Krause
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2008
2008Gilson Maicá de Oliveira. Racionalidade Científica, Paraconsistência e Quase-Verdade. 2008. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, SC. Orientador(a): Décio Krause.2

Dentre os diversos problemas relativos aos fundamentos filosóficos da ciência, um é particularmente relevante: o da racionalidade científica. Este problema envolve diversos aspectos que o tornam um tema de difícil abordagem. Dentre todos esses aspectos, duas questões merecem especial atenção e serão aqui ventiladas: a primeira diz respeito a como entender em termos racionais episódios em que cientistas admitem e trabalham com teorias sabidamente inconsistentes, principalmente tendo em vista que abordagens tradicionais da racionalidade científica aparentemente pressupões que a consistência é uma condição necessária à racionalidade. Embora este requisito pareça ser adequando nos contextos em que se supõe que a lógica subjacente seja a lógica clássica, ela falha em prover uma adequada imagem da prática e dos produtos da ciência, dada a existência e o uso de teorias inconsistentes. Assom, a menos que estejamos dispostos a admitir a idéia de que a ciência constitui um empreendimento irremediavelmente irracional, precisamos arquitetar um modelo em que a racionalidade (entendiad de alguma forma) que possa incorporar teorias inconsistentes. Dada a importância para a ci~encia em geral, e mais especificamente para a matemática, analisaremos aqui, em por menor, o caso particular da teoria intuitiva de conjuntos tal como forumlada por Cantor. Vamos apontar para algumas soluções aos paradoxos nela surgidos, em especial do paradoxo de Russell, Que procuram, de um lado, contornar inconsistência via axiomatização sem alterar a lógica subjacente e, por outro lado, a proposta de Newton da Costa que, de forma menos ortodoxa, alterou a lógica subjacente à teoria, com a criação de teorias paraconsistentes de conjuntos, as quais permitem alcançar resultados não admitidos usualmente pelas concepções ortodoxas, como é o caso do chamado conjunto de Russell..A segunda questão diz respeito a aparente falta de cumulatividade no desenvolvimento da ciência, isto é, como entender em termos racionais a presença de mudanças teóricas radicais como é o caso, por exemplo, da passagem da mecânica clássica de Newton à mecânica relativística de Einsten. Procedemos aqui da seguinte forma: iniciamos com uma análise das concepções revolucionárias propostoas por T. Kuhn, ressaltando, em especial, aqueles pontos mais polêmicos relativos às posturas tradicionais..Cempre deixar claro desde já que não pretendemos fazer exegese das idéias de Kuhn, mas tão somente discutir a idéia de racionalidade científica frente a revoluções científica. Por fim, discutimos como a noção de quase-verdade devida a Newton da Costa e colaboradores que, incorporada à abordagem semântica das teorias cientíricas, pode proporcionar um modelo de mudança de toerias que asocie de modo razoável as idéias de cumulatividade e racionalidade no desenvolvimento da ciência.