Racionalismo e hermenêutica uma abordagem crítica ao modelo de subjetividade kantiana a partir da filosofia da alteridade de Levinas
José Aparecido Pereira
- Autor
- José Aparecido Pereira
- Orientador(a)
- João Carlos Nogueira
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS — PUCCAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Fazer uma abordagem em que o modelo de sujeito proposto por Kant, tanto no que diz respeito à questão da fundamentação teórica do conhecimento quanto à questão da fundamentação da moralidade, possa passar por uma rigorosa crítica constitui o objetivo principal deste trabalho. O instrumental utilizado para a concretização de tal crítica será precisamente a filosofia da alteridade de Emmanuel Levinas. No entender do filósofo lituano, o modo como está estruturada e delineada a filosofia da subjetividade de Kant, ainda não é suficiente e nem da condições de estabelecer uma autêntica relação com alteridade, à altura do humano. Em sua análise crítica, um dos problemas levantado por Levinas no tocante sujeito kantiano é que a alteridade se apresenta a ele como sendo idêntica às outras coisas, ou seja, não há diferenciação entre o outro e os demais objetos. A presença de outrem diante do eu kantiano é uma presença subjugada e dominada. Na esfera do conhecimento e da moralidade o sujeito transcendental kantiano mantém com a alteridade uma relação de objetivação por causa do seu formalismo. A partir do esquema transcendental kantiano é impossível construir a verdadeira alteridade do outro. Levinas apresenta um novo modelo de subjetividade humana para além da identidade do mesmo, capaz de respeitar e acolher a alteridade enquanto absolutamente outrem, fora de qualquer mediação conceitual e formal. Daí que, sua filosofia propõe fazer uma destituição do sujeito autônomo e hegemônico kantiano do seu poder de legislar os princípios que regem a dimensão da moralidade. Por isso, substitui o princípio da autonomia pelo princípio da heteronomia e, por meio da descrição ética, propõe que a heteromia seja a condição de possibilidade para o eu chegar à autonomia, operando uma nova """"revolução copernicana"""" na história da filosofia moral. A significância que motiva o agir do ser humano não está mais polarizada no ser, mas no movimento do que vai em direção ao outro para instaurar a paz, a justiça e direito.
