RAZÃO & DOMINAÇÃO: ADORNO E O DILEMA DO MATERIALISMO HISTÓRICO-DIALÉTICO”.
RICARDO RÍSPOLI PIVA
- Autor
- RICARDO RÍSPOLI PIVA
- Orientador(a)
- BENTO ITAMAR BORGES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA — UFU
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
Todo o esforço demandado por essa dissertação se concentra em demonstrar o desenvolvimento que o materialismo histórico-dialético atinge com o filósofo alemão Theodor Adorno. Ao retomar a metodologia de Marx nas primeiras décadas do século XX, ele e os demais pensadores da escola de Frankfurt pretendem uma releitura sua diante de fenômenos sociais como o fascismo e o stalinismo; as crises do capitalismo em estágio avançado são sintomas mundialmente gerenciáveis que o seu cego vôo de fênix pressupõe, conforme testemunham a recaída no Estado-nação e a malfadada experiência do socialismo.real. A conjuntura do mundo administrado, a se verificar onipresentemente após a II guerra mundial, desafia Adorno – em sua acurada análise epistemológica – a se debruçar sobre as manifestações do pensamento que não deixam de refletir ideologicamente o domínio de proporções telúricas; remontando a um passado distante, a dominação da natureza – e do homem sobre o homem – é a relação básica que sai de seu envolvimento e que engendra o atual modo de produção, corolário de uma reificação crescente a cingir as mais despertas consciências. Com figuras de proa como Lukács, o marxismo tradicional principia a sua investigação da crise adequadamente ao acusar a filosofia da decadência de condizer com o status quo vigente, além de perpetuar as relações sociais sob as quais a burguesia se mantém na condição de classe-sujeito da história; entretanto, ao refutar tanto o conceito de luta de classes como a afirmação de que o proletariado substituiria a burguesia decadente rumo à transformação social, Adorno questiona tal interpretação ortodoxa do pensamento de Marx: se teoria e práxis são a mesma coisa, apenas com o incremento da teoria pode a prática social se renovar – independentemente da cegueira determinista de certas correntes ou de sua recaída na mitologia metafísica.
