Reflexão Habermasiana sobre o papel da razão a partir da Modernidade
Claudenei Eugênio Ribeiro
- Autor
- Claudenei Eugênio Ribeiro
- Orientador(a)
- Delamar Jose Volpato Dutra
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Este estudo tem por objetivo apresentar a reflexão que Jürgen Habermas faz sobre o papel da razão a partir da modernidade. Para tanto, partiu-se da análise textual das obras de Habermas e de outros autores por ele estudados. A obra habermasiana procura conceber um escopo acerca do fenômeno da racionalidade. Esta racionalidade é tomada sob os auspícios da modernidade, enquanto que, pelas contribuições de Max weber, de Adorno e de Horkheimer, é considerada como a causa da instrumentalidade do mundo contemporâneo. Habermas vai afirmar que na modernidade encontram-se elementos comunicativos potenciais que foram obliterados, abafados pelos processos sócio-econômicos. Na modernidade emergiu a vontade de domínio da natureza, a necessidade de liberdade em relação às tradições, mas também nela floresceu a vontade de libertação das opressões, em suma, necessidade de emancipação. Esta saída racional pôde ser percebida principalmente a partir de Descartes e de Bacon, dos arautos do Iluminismo e do Esclarecimento estabelecido por Kant. Ele coloca a razão comunicativa como alternativa à razão instrumental. A razão comunicativa se apresenta como um conceito amplo de razão, visto que em seu uso comunicativo permite transparência dos agentes e interlocutores, bem como uma busca de entendimento ou concenso racional entre eles. A descoberta mais importante exposta ao longo de nossa pesquisa, é que Hebermas deixa transparecer que não devemos imputar a qualificativa """"má"""" ou """"perversa"""" para a razão procurada pelo Esclarecimento moderno, visto que as patologias como o dinheiro e o poder, por exemplo, sufocaram os potenciais emancipatórios da razão esclarecida, durante o processo de colonização do mundo da vida. Deixa transparecer que é o uso que se faz da razão que pode ser valorado como positivo ou negativo. Pois para ele, racionalidade tem mais a ver com a forma em que os sujeitos capazes de linguagem e de ação fazem uso do conhecimento do que a ver com o conhecimento ou sua aquisição. No mais, não há duas razões: a instrumental má e a comunicativa boa. O que parece haver, à mesma razão no seio da modernidade, é a possibilidade de um direcionamento para técnica e instrumentalidade de um lado e direcionamento para diálogo e consenso de outro
