Reflexões em torno do paradoxo político de Paul Ricoeur
Mirian Beatriz Urbano G. Fernandes Costa
- Autor
- Mirian Beatriz Urbano G. Fernandes Costa
- Orientador(a)
- Jeanne Marie Gagnebin de Bons
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Paul Ricoeur preocupou-se, em seus textos políticos, com uma filosofia da ação voltada para a vontade de coexistência dos homens. Para entendermos a política como a atividade estabelecida na convivência entre os homens, somos convocados a reconhecer conceitos tais como poder, soberania, violência, como traços permanentes da tarefa de estabilização dessa vida em comum. Para tanto, devemos revisitar as obras filosóficas que reflitam essa capacidade singular dos homens. Este trabalho apresenta reflexões em torno do conceito que Ricoeur chama de “paradoxo político”, um conceito cunhado e discutido pela primeira vez em 1957, num artigo seminal, referindo-se aos eventos da Revolução Húngara. À luz da filosofia política desse autor francês, busca-se esclarecer o paradoxo político, explicitando os problemas do poder político e sua relativa autonomia em relação ao econômico-social. Os eventos húngaros ilustram a abordagem dos problemas enunciados, mas o trabalho demonstra como, a partir daquele estudo, a reflexão se desdobrou em uma reflexão universal sobre o político. Ricoeur analisou alguns textos de Hannah Arendt, para quem a política é a fonte de significado da vida humana e o projeto político de longa duração é a única medida de imortalidade histórica que é possível a nós, homens mortais. Algumas dessas análises constam no final desta dissertação, e têm o intuito de iluminar a reflexão sobre o paradoxo político e a problemática do poder
