REPRESSÃO E RECALQUE NA PSICANÁLISE FREUDIANA E A CRITICA DE FOUCAULT À HIPÓTESE REPRESSIVA DA SEXUALIDADE
Rejinaldo José Chiaradia
- Autor
- Rejinaldo José Chiaradia
- Orientador(a)
- Ines Lacerda Araujo
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
O conceito de recalque é um continuum na obra freudiana, assumindo um importante estatuto evidenciado quando do seu anúncio como pedra angular do.edifício teórico da psicanálise, com uma crescente e importante função da estruturação do aparelho psíquico, tanto na primeira tópica (consciente, préconsciente.e inconsciente) como na segunda (id, ego e superego). Está relacionado com o complexo processo de ordem endopsíquica e inconsciente, pelo qual determinados conteúdos da memória adquirem uma qualidade “inconsciente”, ficando assim, indisponíveis à lembrança intencional. Dele depreende-se um.conceito similar, o de repressão, que recebeu devidas diferenciações teóricas de seu proponente, especialmente no fato de estar relacionado a contingências externas e ser dotado de intenção, ou seja, consciência, o qual serviu para inúmeras leituras pós-freudianas de elementos da cultura. Nesta interface surge a possibilidade de diálogo com Foucault, que estabeleceu interlocução com a psicanálise desde o início de sua trajetória e, particularmente estreitando esta interface no que diz respeito à repressão da sexualidade no primeiro volume de “História da Sexualidade” – “A vontade de saber”. Interlocução contundente, crítica e por vezes, mal interpretada, tendo como eixo central a denúncia da concepção do poder pela ótica da repressão da sexualidade e inaugurando uma nova perspectiva de exercício de poder, vinculado ao saber produzido a partir da incitação dos discursos em torno do corpo e da sexualidade. O que Foucault empreende é a denúncia de mecanismos de controle e do engodo da noção de poder repressivo, noção que possibilita a demarcação de diferenças com o conceito freudiano de recalque. Foucault estabelece as condições de possibilidade e o espaço arqueológico que viabilizou o surgimento da psicanálise, declinando da intenção de questionar o estatuto epistemológico, científico e clínico do conceito em questão.
