Voltar para Dissertações
Dissertações

Revolta e Revolução: A práxis que separa Albert Camus e Jean-Paul Sartre

Janete Maria Bonfanti

Dissertação
Autor
Janete Maria Bonfanti
Orientador(a)
Cecília Maria Pinto Pires
Universidade
UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2004
2004Janete Maria Bonfanti. Revolta e Revolução: A práxis que separa Albert Camus e Jean-Paul Sartre. 2004. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS, RS. Orientador(a): Cecília Maria Pinto Pires.2

Revolta e Revolução: a práxis que separa Albert Camus e Jean-Paul Sartre, tema da presente dissertação, consiste no exercício filosófico para pensar, antes de tudo, a questão do humano. Há circunstâncias em que os princípios fundamentais da condição do homem, como a liberdade, a justiça e a felicidade, são aviltados. Um exemplo desse aviltamento foi o totalitarismo stalinista, que se apresentou como a degenerescência do marxismo, nos anos 50 do século passado. Camus e Sartre se posicionam a respeito, entretanto, há uma divergência conceitual entre eles, que repercutirá na concepção de práxis de cada um. Revolta e revolução são conceitos distintos. Na perspectiva sartriana complementam-se. Na visão camusiana, a revolução perverte a revolta..A pertinência de nosso estudo é devida às nossas circunstâncias hodiernas, quando pensar no homem tornou-se algo desgastado. Aparentemente é assunto esgotado. Não temos mais totalitarismos de Estado, a humanidade inteira desfruta das benesses do sistema capitalista que para tudo tem solução, já não se tem problema neste sentido. Será? Até que ponto essa sociedade se libertou da opressão? Não teríamos, hoje, no sistema econômico a exata aniquilação da subjetividade? O homem tornou-se passivo diante das injustiças e das desigualdades que engendram desumanidades. Não lhe falta a negação? A revolta é um posicionamento ético, à medida que nega, afirma valores. Dizer não ao crime é dizer sim à vida. Todavia, para Sartre, a revolta carece da revolução como práxis efetiva. Somente esta pode criar as possibilidades de um verdadeiro humanismo. Camus não admite a práxis revolucionária pelo seu paradoxo, instaurar a paz pelo terror.