Voltar para Dissertações
Dissertações

Rosto e ética no pensamento de Emmanuel Levinas

DEMETRIUS OLIVEIRA TAHIM

Dissertação
Autor
DEMETRIUS OLIVEIRA TAHIM
Orientador(a)
Pergentino Stefano Pivatto
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2008
2008DEMETRIUS OLIVEIRA TAHIM. Rosto e ética no pensamento de Emmanuel Levinas. 2008. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Pergentino Stefano Pivatto.1

O presente trabalho tem por objetivo descrever, a partir do pensamento de Emmanuel Levinas (1906-1995), a relação com o rosto de outrem como ética. O intenso diálogo com a filosofia ocidental, compreendida como a história da redução do outro ao mesmo, acentua o pensamento deste autor no que tange à sua proposta da ética como filosofia primeira. O fio condutor deste trabalho é a leitura levinasiana da idéia do infinito na qual será vislumbrada uma possibilidade de descrever um evento não pautado na abertura do ser ou como representação do eu transcendental pretendendo, assim, ser uma ruptura no interior da totalidade e da relação noético-noemática. A descrição da idéia do infinito indica a relação com algo absolutamente exterior àquele que o pensa, assim como, atesta uma abissal distância entre o pensador e o pensado. Levinas se utiliza da estrutura formal desta idéia para descrever a relação com outrem, ou seja, a concretude da idéia do infinito produz-se na relação social que mantenho com o rosto de outrem. O delineamento dessa relação apresenta o mesmo como acolhedor deste rosto descrito como absolutamente outro, isto é, totalmente estranho ao eu. Deslumbra-se, desta maneira, uma nova relação no seio da totalidade. Relação que não é desvelamento, mas revelação de um rosto capaz de chamar o eu à responsabilidade. Apenas a presença de outrem interpela o eu interrompendo o seu livre e arbitrário movimento de apropriação e posse. Esta impugnação da liberdade do eu por outrem será chamada de ética e afirma a anterioridade da justiça em relação à liberdade e, destarte, a ética como anterior à ontologia. Os desdobramentos dessa relação primeira – face a face – serão discutidos no texto tendo como ponto de partida a história da filosofia dando ênfase, principalmente, à crítica a ontologia fundamental proposta por Heidegger. Pretende, com isso, mostrar que a relação com o rosto não se engloba na estrutura totalizante do ser e, além disso, é fonte de sentido e capaz de promover a justiça na humanidade como acolhimento da diferença.