- Autor
- DOMINGOS DE CASTRO GONÇALVES
- Orientador(a)
- VERA MARIA PORTOCARRERO
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2001
O objetivo desta Dissertação é analisar a relação estabelecida por Foucault entre o surgimento da sexualidade, no século XVIII, e a obra literária de Sade. O objeto desta pesquisa é o conceito de sexualidade e seu caráter de transgressão ou de efeito das relações de poder afirmados na arqueologia do saber e na genealogia do poder. O ponto de partida é a idéia de que a obra de Sade, por um lado, criou uma linguagem de sexualidade constitutiva da experiência de transgressão na literatura, e, por outro, prescreveu a anatomia da sexualidade, instaurando, na rede de relações de poder de nossa sociedade, a soberania do sexo como fator fundamental na dominação dos indivíduos. Na arqueologia do saber, sexualidade, literatura e transgressão determinam a importância da literatura de Sade como experiência da transgressão. Todavia, na genealogia do poder, esta literatura relaciona-se à dominação através da norma, onde a sexualidade explicita-se como algo absolutamente desconhecido e incontrolável, que se transforma em apoio estratégico das relações de poder, como um dispositivo, através do qual o sexo é fixado como ideal. Tal dispositivo é sustentado pelas técnicas de poder modernas, que progridem através de uma relação paradoxal entre conhecimento e desconhecimento e entre êxito e fracasso, imanentes às suas operações. A dissertação analisa a hipótese de que a obra literária de Sade é uma chave de interpretação para compreender o conceito de sexualidade como instrumento de dominação do indivíduo no Ocidente. Uma vez que inseriu a sexualidade no corpo do homem, organizando um erotismo sob o poder desmedido do sexo, Sade estabelece a soberania do sexo que encobre os mecanismos de normalização dos corpos. Pois, enquanto acreditamos na lei do sexo, não damos conta da ação dos mecanismos de poder da sexualidade sobre nossas vidas.
