- Autor
- Ana Cristina Joaquim
- Orientador(a)
- LUIZ ROBERTO MONZANI
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
A problemática discursiva na qual se insere a obra de Donatien Alphonse François de Sade (Marquês de Sade: 1740-1814) é considerada mediante os aspectos filosóficos e literários dos quais se compõem os seus textos. Levando em conta o romance filosófico enquanto gênero frequentemente praticado entre diversos autores do século XVIII francês que, como Voltaire, Diderot e Rousseau – para citar os mais expressivos – almejavam o largo alcance de suas idéias mediante a popularização da filosofia, pretende-se complexificar esse intento em Sade. Uma vez que no caso do Marquês existe a dificuldade ou impossibilidade de transposição do seu pensamento para o campo da política e da moral (dada a precedência do prazer em detrimento de uma convivência pacífica, e até mesmo em detrimento da vida – valores caros a qualquer comunidade política), considera-se de grande importância o caráter fictício de seus escritos: de acordo com o ponto de vista proporcionado pela ficção, descortina-se uma nova leitura de proposta política e moral em sua obra. Para tanto, tomam-se emprestadas algumas noções da hermenêutica Ricoeuriana, entre elas, a idéia de uma 'ontologia da obra de arte'; a noção de fictício de Wolfagang Iser; e as noções de verdade e interpretação de Luigi Pareyson; diretrizes que desembocam numa idéia de ficção tanto como ação política, quanto como forma de conhecimento. Pensar a obra sadiana mediante os artifícios ficcionais possibilita, assim, uma redimensionalização da sua filosofia. Os textos de Sade mais frequentemente utilizados para o própósito foram Nota sobre romances e Os 120 dias de Sodoma, além dos circunstancialmente evocados: A filosofia na alcova, Histoire de Juliette, Diálogo entre um padre e um Moribundo e Os infortúnios da virtude.
