- Autor
- Sheylla da Silva Mendes
- Orientador(a)
- Iraquitan de Oliveira Caminha
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ) — UFPB-JP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
A investigação do conceito de liberdade em Sartre nos conduz inexoravelmente aos pressupostos ontológicos que norteiam o seu pensamento. Sartre começa sua análise em O ser e o nada tratando do ser-em-si cujas características o igualam ao ser da metafísica. Ele é pleno, absoluto e idêntico a si mesmo. Sartre define o ser-em-si como algo fixo; ele não se comunica com o mundo exterior e, por isso, não se submete a nenhuma lei, valor ou juízo. O em-si, segundo Sartre, é maciço, isolado em si mesmo, razão pela qual não conhece o devir. Ele é pleno e eterno sendo aquilo que é. O em-si está anulado em si, sem saída, sem movimento..O ser-em-si, por ser completamente impossibilitado de mudança, de se relacionar com outro, é pura imanência; ele encontra-se numa situação estática, como algo fechado em si mesmo. Enquanto positividade absoluta, ele está pleno de si mesmo. Trata-se de uma realidade concreta que não pode fugir de si mesma. Sartre compreende o ser-em-si como uma região ontológica fechada, acabada. Contrário à opacidade do ser-em-si, Sartre nos apresenta o ser-para-si, que é abertura e indeterminação. .O ser-para-si é um escapar de si mesmo. Sartre, inspirando-se em Husserls, o concebe como consciência intencional. Isto significa que toda consciência intenciona um objeto que está fora dela. A consciência é, por isso, destituída de conteúdo. Ela é um fluxo em direção ao mundo. Sartre define a consciência como espontaneidade pura, ou seja, ela busca sempre algo que ela não é. Nesse sentido, pode-se falar de uma separação radical entre o sujeito e o mundo. Todavia, a consciência ao se dirigir para fora de si tem consciência de que é consciência do mundo.
