- Autor
- José Clerison Santos Alves
- Orientador(a)
- Sílvia Faustino de Assis Saes
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
O objetivo dessa dissertação é mostrar que a faculdade de razão, no pensamento de Schopenhauer, não tem poder suficiente para servir como fundamento da moral. No interior de Die Welt als Wille und Vorstellung, o filósofo nos apresenta uma distinção entre dois tipos de conhecimento, a saber: o intuitivo e o abstrato. O primeiro é um produto do entendimento unido às formas puras do espaço e do tempo: as representações intuitivas. O segundo é uma obra da faculdade de razão: as representações abstratas. Para Schopenhauer, a única função da razão é atuar como uma faculdade produtora de conceitos abstratos. Todos os conceitos da razão devem ter como referência o conhecimento intuitivo, pois, sem essa referência, a razão se perde em conceitos vazios de conteúdo, como por exemplo: Deus, alma, substância etc. A razão é a faculdade da lógica formal, por esse motivo, ela não pode responder pelas questões de ordem moral. Schopenhauer afirma que a vontade é anterior a faculdade de razão. Neste sentido, o filósofo apresenta a imagem de uma razão “instrumental”, ou seja, a imagem de uma razão que atua em função dos impulsos imperativos da vida. Com isso, o filósofo transfere a liberdade das ações humanas para a coisa-em-si: a vontade. Sendo o mais alto grau de objetivação da vontade, o fenômeno humano reflete, com uma maior radicalidade, a condição de indivíduo. Através do princípio de individuação, que representa a ilusão de uma consciência individual, o egoísmo entra em cena. Aqui, todos querem manter a própria vida em detrimento da vida de outrem. Nesta medida, somente um impulso forte (Gewalt), independente dos conceitos abstratos da razão, pode pôr freio no egoísmo essencial que atravessa a vida humana: o sentimento de compaixão.
