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Dissertações

Searle e a irredutibilidade da consciência.

Douglas Henrique Antunes Lopes

Dissertação
Autor
Douglas Henrique Antunes Lopes
Orientador(a)
Kleber Bez Birolo Candiotto
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012Douglas Henrique Antunes Lopes. Searle e a irredutibilidade da consciência.. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): Kleber Bez Birolo Candiotto.2

Este trabalho dispõe-se na elaboração de um esboço acerca da compreensão de consciência na obra de John Searle, tendo em vista a relevância das contribuições do autor em filosofia da mente. Aborda a problemática em torno da consciência proposta inicialmente na obra Rediscovery of Mind, de 1992, em que Searle contra-argumenta com o materialismo e o dualismo em diversas vertentes. No texto intitulado de Mente, Linguagem e Sociedade, Searle apresenta a noção de posições padrão, as quais se referem às visões tradicionais construídas e mantidas, constituindo nossas crenças, via pela qual interpretamos nossa interação com a realidade. Descartes, no século XVII, teve uma elaboração teórica fundamental para a época, o dualismo. Pois ao separar corpo (res-extensa) e mente (res-cogitans), possibilitou que os cientistas tratassem das questões mensuráveis, tais como o movimento dos corpos e a atração gravitacional.Porém, excluiu o que se entende por “mente” do escopo da ciência tradicional. Pois quando se refere à “ciência” esperamos um modo de explicação objetivo da realidade, independente de qualquer concepção individual deste ou daquele outro pesquisador. De modo que se torna dificultoso admitir, nesta perspectiva, termos como “mente”, “subjetividade”, “consciência”, “intencionalidade”, etc. Entende-se que noções como estas vão contra a nossa visão científica de mundo. De um lado, temos o dualismo como herança às nossas concepções, o qual se choca com as contribuições de ciências como a neurobiologia. De outro, temos o materialismo, que possui um elaborado quadro vocabular que não se adéqua a noções fundamentais para a compreensão de características mentais fundamentais como consciência, subjetividade e.intencionalidade. Searle mostra que o dualismo não se adéqua à ciência atual, ao mesmo tempo em que, admitir que aja uma consciência subjetiva irredutível a fenômenos físicos não significa que tenhamos problemas crassos com a nossa visão científica de mundo. Searle sustenta uma visão que classifica como naturalismobiológico, afirmando que a “mente” é um fenômeno biológico causado pelo cérebro. Entretanto, esta concepção levanta uma série de questões sobre as quais se encontra uma série de limitações para que sejam explicadas com clareza, por exemplo, “como exatamente a microestrutura do cérebro é capaz de causar a consciência?”, “de que modo populações de neurônios gestam e administram estados mentais?”, etc. Apesar dos avanços da neurociência nas últimas décadas, têm-se muitas limitações em explicar questões como estas.