Sob o signo da amizade, a filosofia nas cartas de Walter Benjamin
Paula Pinheiro G. Padilha
- Autor
- Paula Pinheiro G. Padilha
- Orientador(a)
- Luiz Camillo Osorio
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
Ao trazer a estética para o centro da discussão filosófica, o objetivo de Walter Benjamin era preservar a experiência fugidia e refletir sobre o fato da verdade ser uma aparição sensível. O primeiro passo dado nessa direção foi reivindicar uma temporalidade intensiva para a filosofia, colocando-a de mãos dadas com a arte. Esta pesquisa se baseia no pressuposto de que toda a obra de Benjamin é atravessada por um tipo de temporalidade que não resulta de nenhum vínculo causal e que toda ela está, de alguma maneira, sugerida em sua correspondência, seja de forma embrionária, seja como texto praticamente pronto para publicação. Nos deparamos nas cartas com o pensamento do filósofo com a mesma força que o reconhecemos na sua obra como um todo – o que lhe interessava era o alargamento da experiência filosófica que as trocas com os amigos fomentavam. Nesse movimento, há que se lidar com o vivo, com a história, com o tempo, com a tradição; mas não de uma forma linear uma vez que o objeto sempre se constitui ao mesmo tempo em que é conhecido – num gesto que jamais pode ser presumido por nenhum método estabelecido a priori. É central em seu pensamento a não separação entre conteúdo e forma e a defesa de uma identidade entre filosofia, crítica e tradução. Tratam-se de experiências que acontecem na linguagem – na linguagem escrita – e que encontram na forma do ensaio o terreno apropriado para a sua apresentação. O que animou a tentativa de captar a marcha de um pensamento (de uma escrita) tão singular, que cada carta a cada amigo dá a ver, foi a crença de podermos medir o seu pulso ao encontrar na correspondência de Benjamin uma chave insubstituível para a melhor compreensão da sua filosofia.
