Sobre a Aplicação do Conceito de Pessoa: Uma Análise Conceitual
Beatriz Sorrentino Marques
- Autor
- Beatriz Sorrentino Marques
- Orientador(a)
- Osmyr Faria Gabbi Junior
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
A distinção entre pessoas e coisas materiais, para P. F. Strawson em seu livro Individuals,.guia a discussão sobre o que são pessoas e como as identificamos e nos referimos a elas..No entanto, a tentativa de fazer esta distinção chama a atenção para a necessidade da.reflexibilidade do si mesmo, capaz de identificar si mesmo e outros como sendo pessoas..Paul Ricoeur explicita em seu livro Soi-même comme un autre como a designação de si.desenvolve a compreensão da noção de si mesmo. A referência aos particulares de base.que auxiliaria em sua distinção de coisas ocorre na linguagem, entretanto, ao levar em.consideração atos de fala, que remetem à capacidade de designar a si na interlocução,.surge a necessidade de considerar a ação como o principal aspecto que diferencia pessoas.de coisas, como Strawson aponta em sua teoria. A ação expõe a distinção entre a.espontaneidade com a qual o agente interfere no mundo, por meio de seu corpo, e a.ocorrência de eventos de acordo com leis da natureza. Assim, a ação traz a dimensão da.ética para o agente ao apontar o seu poder de agir. Por fim, a narrativa ajuda a designar.uma ação ao seu agente, pois a ação faz parte da trama que o agente constrói, e contar.algo é contar quem fez o que numa história em que o personagem apresenta uma.constância. Dadas estas considerações, o presente estudo avalia dois casos de narrativas.literárias para constatar se os seres não humanos que as compõem são pessoas ou não.
