Voltar para Dissertações
Dissertações

SOBRE A MÍMESIS POÉTICA NOS LIVROS II, III DO DIÁLOGO POLITÉIA DE PLATAO.

MARIA DE LOURDES GUIMARAES DE LEMOS

Dissertação
Autor
MARIA DE LOURDES GUIMARAES DE LEMOS
Orientador(a)
MARIA DAS GRACAS DE MORAES AUGUSTO
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2000
2000MARIA DE LOURDES GUIMARAES DE LEMOS. SOBRE A MÍMESIS POÉTICA NOS LIVROS II, III DO DIÁLOGO POLITÉIA DE PLATAO.. 2000. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): MARIA DAS GRACAS DE MORAES AUGUSTO.2

O presente trabalho tem por objetivo avaliar a natureza da crítica de Platão às artes poéticas nos livros II e III do diálogo Politéia. Pretendemos chegar a mostrar que essa crítica platônica concerne sobretudo a pretensa função educadora da poesia e consiste sobretudo em estimar os poderes e limitações dessa arte no desempenho dessa sua pretensa função. Eu argumentarei que, a despeito de se especificar condições bastante estritas para o exercício das artes poéticas na cidade bem ordenada, a poesia é, na verdade, estimada positivamente e mesmo lhe é reservada uma importante função na educação dos jovens, mas apenas na medida em que o aprendizado das virtudes é concebido como envolvendo uma primeira etapa não teórica de educação dos afetos, a qual estaria encarregada de dar determinação às inclinações naturais dos jovens no sentido de os predispor a acolher o que é belo e bom e rejeitar o contrário disso; é nesse sentido que devemos ler em Politéia que """"a mousiké conduz ao amor do que é belo"""". Apenas, o que Platão, contrariamente à opinião corrente do seu tempo, não pensa poder esperar das artes poéticas é que elas sejam um meio para se lograr conhecimento da virtude. Teremos oportunidade de observar que não é apenas esse critério pedagógico e extrínseco à poesia que orientará a crítica platônica às artes poéticas, mas antes sua crítica pretende encontrar na própria poesia o metro com o qual avaliá-la, na medida em que, inicialmente, assume que os poetas têm pretensões de representação da ralidade ou, em outras palavras na medida em que assume que a poesia é mímesis e, então, extrai dessa assunção a conseqüência de que os poetas estão obrigados, segundo sua própria pretensão e não por um constrangimento vindo de fora, a satisfazerem a exigência de representar o mais semelhantemente possível seus objetos de imitação. Será essa linha de raciocínio que em grande medida atuará determinando as condições sob as quais será admitido o exercício das artes poéticas na cidade, condições essas que, nesse sentido, significariam não tanto censuras impostas à poesia, mas sim o requerimento de que os poetas sejam coerentes com sua pretensão de representação implicada no fato de que as artes poéticas são definidas como mímesis.