Sobre a possibilidade de pensarmos o mundo: o debate entre John MacDowell e Donald Davidson
MARCO AURÉLIO SOUSA ALVES
- Autor
- MARCO AURÉLIO SOUSA ALVES
- Orientador(a)
- ERNESTO PERINI FRIZZERA DA MOTA SANTOS
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Em seu influente livro “Mind and World”, John McDowell identificou uma oscilação entre dois pólos de uma teoria filosófica acerca do modo como nossos pensamentos dizem respeito ao mundo: de um lado, a aceitação do que Sellars chamou do “mito do dado”, de outro, uma teoria coerentista do pensamento. Ambas posições são insustentáveis. McDowell propõe uma solução “quietista”: não se trata de escolher um lado desta oscilação, mas de encontrar uma posição na qual este problema deixa de existir, esta angústia desaparece. A dissertação vai se ocupar essencialmente da crítica de McDowell ao pólo coerentista, do qual Donald Davidson pode ser visto como um defensor. Se a posição davidsoniana evita o mistério de relações externas ao “espaço de razões” determinando transições racionais no nosso pensamento, ela não explica como o pensamento encontra o mundo – como se o pensamento perdesse o contato, a fricção com o mundo. Não é certo, contudo, que a posição davidsoniana possa ser caracterizada como evitando a fricção com o mundo. No segundo capítulo, a dissertação examina o modo como Davidson evita esta conseqüência, em torno do desenvolvimento de um tipo particular de externismo, no qual o conceito de triangulação tem um papel central. O último capítulo retoma o debate num nível mais básico – não apenas reavaliando as respostas davidsonianas, mas colocando em questão o tipo de raciocínio transcendental que tem, como uma conseqüência a divisão entre mundo e conceito que cria (e torna inelutável) a angústia da qual partimos – o que é um novo caminho em direção ao quietismo em filosofia.
