- Autor
- Francisco Diniz de Andrade Meira
- Orientador(a)
- Giovanni da Silva de Queiroz
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ) — UFPB-JP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Nesta dissertação expomos o caminho percorrido por Platão, em seu diálogo Banquete, da relação íntima entre amor e conhecimento. Em um primeiro momento, apresentamos o diálogo e algumas interpretações. Nesta apresentação privilegiamos os comentários de Alexis Philonenko e Werner Jaeger. Aos discursos dos convivas, opomos o discurso de Sócrates como aquele que, buscando explicar a natureza de eros, identifica-o como um daímon, um intermediário entre os deuses e os mortais. Para compreender o conceito de intermediário, nos apoiamos em República, livros V-VII e, em particular, apresentamos uma interpretação do intermediário matemático como impulso em direção ao que sempre é. A filosofia se apresenta, então, como um intermediário entre o saber e a ignorância. Eros entra nesse cenário para apontar que a busca pelo saber caracteriza-se como busca amorosa. Amor, é amor de algo (tinós) identificado com um bem. Os bens são múltiplos e variados, desde os necessários à vida até os necessários à cidade. Platão inscreve entre esses bens a necessidade de beleza, a necessidade do bem em si. Identificamos eros com dýnamis. Toda dýnamis tem, como característica essencial, ser propulsora de si mesma, em primeiro lugar, e daquilo que esteja associado, acostado, contíguo a ela. Em sendo o amor sempre de algo, enquanto dýnamis identifica-se com seus objetos; os objetos vão se transformando a todo instante: são os belos corpos em seu início e culminam com o Belo em si. O efeito do eros é o prazer, que sacia o desejo. Sensual e corpóreo em seu início e estético quando se contempla o Belo em si. Também o saber experimenta essa gradação e essa multiplicidade. Há um saber prático, aprendido nos ofícios e nas artes e chega-se a um saber que somente após uma longa caminhada, um longo esforço, é alcançado. Isto estabelece uma dialética em Platão. Uma vez alcançado um determinado nível, conquistada uma determinada etapa (ou um determinado objeto), cumpre buscar uma etapa mais elevada, uma etapa mais perfeita e que está no fundamento daquela anterior. Esse caminho tem um fim. O belo e o bom que se dão à contemplação; o saber e o conhecimento que se abrem ao filósofo.
