- Autor
- Francisco de Assis Silva
- Orientador(a)
- Mauro Castelo Branco de Moura
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
As características que definem o fetichismo do capital encontram-se sobejamente na obra magna de Marx, O Capital; entretanto, não estão reunidas num capítulo específico, encontram-se de forma esparsa ao longo da obra. O questionamento acerca do caráter fetichista do capital se inicia na seguinte pergunta de Marx: “E a economia moderna que, sobranceira, sorri desdenhosa para aquelas ilusões, não manifesta evidente fetichismo quando trata do capital?” A partir daí é possível perscrutar os fundamentos desse fetichismo. No nosso estudo nos concentramos em duas características que definem o fetichismo do capital: a primeira delas refere-se à entrega da vontade e da consciência do capitalista ao capital, tornando-se o capitalista, segundo Marx, a personificação do capital. Nesse sentido ele descreve o capitalista como a encarnação do capital, como aquele que representa uma figura processual autônoma que é definida pela valorização do valor, pela auto-expansão ilimitada. A segunda peculiaridade do fetichismo do capital refere-se à consideração da ciência e da técnica como atributos do capital. Ainda que a ciência não esteja plenamente subalternizada ao capital, o seu desenvolvimento tem sido realizado sob a égide deste e a técnica a esta ciência vinculada é utilizada para revolucionar os meios produtivos de forma a atender aos interesses dos capitalistas. Não obstante, ambas as características emergem da condição que assume o capital como “sujeito automático” das relações sociais. Nessa condição o capital se apossa da racionalidade do capitalista e atribui a si o desenvolvimento da ciência e da técnica.
