- Autor
- Marcelo Santana dos Santos
- Orientador(a)
- Mauro Castelo Branco de Moura
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
Apesar de universalmente utilizado no mundo contemporâneo e de sua participação no quotidiano dos indivíduos humanos, a forma dinheiro dos produtos do trabalho social está longe de uma evidência trivial. Esse trabalho pretende investigar a relação que o dinheiro mantém com os indivíduos, atentando para o conceito de fetichismo presente na obra de Marx. Por um lado, tem-se a intenção de demonstrar que é possível fazer uma análise temática onde a forma de desenvolvimento do pensamento de Marx emerge na qualidade de crítica imanente do capitalismo, presente desde os primeiros escritos, como, por exemplo, os Manuscritos Econômicos-Filosóficos de 1844. Por outro, a relevância que damos ao estudo do dinheiro a pardir da teoria de Marx como sendo uma análise filosófica, dá-se exclusivamente em um contexto de justificação que está implicitamente articulada à existencia de normas capazes de manter e regular as interações entre os indivíduos e o produto dos seus trabalhos em O Capital. Para enterdermos o fetichismo do dinheiro, é necessário que nos reportemos à mercadoria, uma vez que é a partir dela, e das relações que mantém no meio social, que podemos compreender como surge a forma dinheiro. Como manifestação imediata da riqueza capitalista, a mercadoria guarda em si uma tensão interna que a caracteriza como tal: seu valor de uso e seu valor de troca. Cabe salientar que, para compreendermos a forma dinheiro, é importante ter em mente o significado do valor que emerge das relações mantidas entre os homens por intermédio das mercadorias. Com efeito, o fetichismo do dinheiro é, em grande medida, o desdobramento do fetichismo da mercadoria em forma patente e deslumbrante, como afirma Marx. Sem dúvida, o dinheiro é um grande vínculo humanizado que hoje mostra sua força na figura do capital, de modo que o fetichismo que surge de sua forma é um instrumental que merece atenção especial, uma vez que, de fato, o dinheiro depende do homem para existir, mas que sua atuação no contexto social subjuga os indivíduos descaracterizando os trabalhos privados. Ademais, a substantividade que o dinheiro possui confere-lhe vida própria na figura do capital, cujo automatismo adquire uma compulsividade próxima dos atos volitivos. Nesse sentido, a compreensão do dinheiro é condição fundamental para entendermos como a vida social contemporânea está regulada por essa divindade visível, que nos aparece como moeda e que se transforma ao longo da história, pois o que era contante e sonante hoje pode ser expressado por impulsos elétricos.
