Sobre o inumanismo: acerca de uma política sem a máquina antropológica
Thiago Vasconcelos Marques
- Autor
- Thiago Vasconcelos Marques
- Orientador(a)
- Hilan Nissior Bensusan
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA — UNB
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
Máquina antropológica é um conceito formulado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben para pensar as relações entre a animalidade e a humanidade. Tal conceito surge no contexto do que chamamos biopolítica. A máquina antropológica pode ser definida como uma máquina conceitual que visa, a partir da articulação e separação entre o âmbito animal e o âmbito humano, produzir o humano. Tal articulação e separação, no entanto, não possui um viés meramente ontológico, mas um viés político, o qual acaba por deixar como resto uma vida nua, confinada a um lugar de completa indistinção. .Segundo as investigações de Agamben, podemos constatar a presença dessa máquina em diversos setores do conhecimento, passando pela teologia, filosofia e pela ciência. Na obra L’Aperto, Agamben dá uma atenção especial ao pensamento heideggeriano acerca da animalidade e da humanidade. Neste estudo, busca mostrar como o pensamento deste filósofo alemão está altamente atrelado à máquina antropológica. A separação radical estabelecida por Heidegger entre o animal e o Dasein acaba por jogar a animalidade, o ser vivente do humano, em uma zona completamente indeterminada, possibilitando assim, a produção de uma vida nua, uma vida que não se identifica nem com a animalidade, visto que é humana, e nem com a humanidade, visto que é animal (e não Dasein). .Pensar uma política sem a máquina antropológica é pensar uma política que não permita a produção de “vidas nuas”, ou seja, vidas das quais a humanidade possa ser tirada, arrancada. A vida nua é aquela vida na qual a animalidade e a humanidade se encontram totalmente incertas e indistintas, e por isso, totalmente exposta e à mercê dos poderes políticos. .Para deter essa máquina, devemos impor sobre ela um processo de sucateamento, o qual será proporcionado através de uma mudança ontológica, na forma de concebermos e pensarmos a animalidade e a humanidade. Essa mudança ontológica coloca em questão tanto a ontologia clássica, fundada por Platão e Aristóteles, quanto à ideia de uma humanidade separada ou a parte da animalidade.
