Sobre os limites da Sensação na questão da definição de conhecimento no Teeteto
ANDERSON DE PAULA BORGES
- Autor
- ANDERSON DE PAULA BORGES
- Orientador(a)
- JOÃO VERGÍLIO GALLERANI CUTER
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
Este trabalho focaliza a primeira definição de conhecimento proposta no Teeteto. Após o comentário da questão da definição, que abre o diálogo, oferecemos uma perspectiva de leitura que permitirá a análise do trecho que discute a hipótese de ?sensação? ser conhecimento. Dividimos esse trecho em duas partes. A primeira parte é a ?construção? da teoria. Na análise partimos da leitura feita por Platão da fórmula protagoreana. Platão quer provar que a definição ?conhecimento é sensação? encontra sua condição suficiente no interior da doutrina de Protágoras. Esta doutrina, por sua vez, tem seu núcleo assimilado às teses heraclitianas. Toda a parte II de nosso trabalho procura articular os elementos centrais dessa ?tripla? conjunção..Na parte III oferecemos o comentário das principais críticas que o texto faz à definição. As críticas de Platão deitam-se em três frentes: crítica à indistinção entre sensação e opinião; crítica ao mobilismo extremo; crítica à tese de que sensação é conhecimento..Nas ?considerações finais? do trabalho traçamos um paralelo entre o ponto de vista protagoreano e o ponto de vista platônico sobre a sensação. Focamos as lições das três críticas, procurando destacar que Platão encara o mobilismo como núcleo articulador da teoria. Ao rejeitar o mobilismo, Platão reformula a noção de sensação, reduzindo sua esfera de aplicação e refutando a fórmula que inaugurou o debate: a idéia de que ?conhecimento não é outra coisa que sensação?.
