Dissertações

SÓCRATES: A ÉTICA DO DIÁLOGO

Paulo Roberto da Rosa Rodrigues

Dissertação
Autor
Paulo Roberto da Rosa Rodrigues
Orientador(a)
Jayme Paviani
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
1997
1997Paulo Roberto da Rosa Rodrigues. SÓCRATES: A ÉTICA DO DIÁLOGO. 1997. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Jayme Paviani.3

Estudo da ética dialógica de Sócrates e sua influência na ação do homem no seu existir histórico. Uma ética fundada sobre princípios duros, tem hoje ainda algum sentido? É possível ser vivida? E mesmo ser proposta como alternativa às éticas atuais? Parte do dialógico em Sócrates e faz uma análise dialética do desenvolvimento da ética dialógica no Ocidente até os nossos dias. Passando-se pela recepção desta em Agostinho no diálogo com Deus, após em Kant e Hegel como declínio do dialógico e o surgimento do monológico, ou como Imperativo Categórico ou como Espírito Absoluto que a tudo determina. Salienta-se o renascer do dialógico com Kierkegaard no encontro com o totalmente outro, em Nietzsche na sua busca pelo contingente existencial e em Buber no diálogo Eu-Tu, Eu-Isso como palavra-princípio proferida como fundamento da existência humana, e esta, como sendo essencialmente dialógica no seu agir. Com a Ética do Discurso em Habermas e Apel é feita a atualização do problema. Nestes a palavra proferida com sentido deve necessariamente ser ética. Apel salienta a necessidade de adotar uma normatividade ética capaz de ser universal e, ao mesmo tempo, que busca a idéia de validez intersubjetiva. Quem argumenta pressupõe simultaneamente duas coisas: uma comunidade real e uma comunidade ideal de comunicação que estaria em condições de compreender adequadamente o sentido de seus argumentos e de ajuizar definitivamente sua verdade. Eis o fato (factum) da razão a argumentação. Saindo do """"eu penso"""" como determinante, para um nós argumentamos com validez e possibilidade de comunicação. Habermas traz a sua ética discursiva como um agir comunicativo, saindo de uma razão desenvolvida em termos de reflexão pela filosofia do sujeito moderno para um conceito de racionalidade, desenvolvido em termos de comunicação pela filosofia da intersubjetividade. De uma razão centrada no sujeito para uma racionalidade comunicativa. De um puro conhecimento do objeto para um entendimento entre sujeitos capazes de fala e de ação. O sujeito deixa de ser um mero expectador para tornar-se um falante que interage com os outros. No processo argumentativo os sujeitos estão inseridos em uma história e em um contexto concreto. O elo de ligação da proposta ética dialógica de Sócrates com o processo ético do agir comunicativo na Ética do Discurso está centrado na validade do agir comunicativo justificado pelo diálogo, centrado basicamente na busca de consenso entre os interlocutores válidos e que estejam de uma forma ou de outra afetados pelo agir comunicativo. Este agir se dá a partir de princípios válidos no discurso. Ou como princípio de universalização ou do discurso em Habermas e em Apel além destes, o princípio de conservação e de complementação, onde ocorre a dialética entre comunidade real e comunidade ideal e sua consequente exigência de responsabilidade frente à história.