Solidão e Comunicação: uma Tensão na obra """"Assim falava Zaratustra""""
Francisco Rafael Leidens
- Autor
- Francisco Rafael Leidens
- Orientador(a)
- Clademir Luís Araldi
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS — UFPEL
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
Este trabalho pretende, sobretudo, evidenciar um problema fundamental em Assim falava Zaratustra, a saber: há uma tensão entre solidão e comunicação que acaba determinando os rumos deste livro quanto às pretensões afirmativas de Nietzsche. Ao mesmo tempo em que a solidão radicalizada viabiliza vivências únicas, a comunicação, por efetivar-se através de uma linguagem predeterminada por valores morais-gregários, torna-se prejudicada justamente pelo caráter singular e intransferível que o isolamento imprime a tais vivências. O resultado disso é um livro problemático tanto em relação ao seu endereçamento (“um livro para todos e para ninguém”) quanto em relação ao seu desenvolvimento interno (a decepção de Zaratustra quando pretende comunicar-se, inicialmente ao povo, logo no “Prólogo”, aos discípulos, e, já no quarto livro, aos homens superiores). Aquilo que Zaratustra pretende comunicar, em primeiro lugar, e intensamente durante os livros I e II, é o além-do-homem, que se mostra ser um meio para suportar a concepção fundamental da obra, a saber: o eterno retorno do mesmo. Sem a efetivação desse suporte (que por fim acaba consistindo em, além disso, um modo de compreender “afirmativamente” o caráter cíclico do mundo), o eterno retorno não pode ser comunicado e permanece, segundo a hipótese defendida, um pensamento solitário e silencioso. Termina-se por assumir, neste trabalho, a extemporaneidade de Assim falava Zaratustra; uma espera por ouvidos apropriados e por aqueles que tenham uma vivência semelhante a Nietzsche/Zaratustra.
