- Autor
- Maria Luci Buff Migliori
- Orientador(a)
- Jeanne Marie Gagnebin De Bons
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1999
Na noite do dia 10 de novembro de 1619, aos vinte e três anos de idade Descartes teve três sonhos, após ser tomado pelo entusiasmo da descoberta diurna de uma ciência admirável. Este sonhos foram contados pelo filósofo num pequeno registro de pergaminho, sob a rubrica de Olympica, que se perdeu, sendo o seu relato conhecido pela narração do biógrafo Baillet ( cujo texto traduzido consta no apêndice deste trabalho) e por trechos copiados por Leibniz do manuscrito original (Cogitationes Privatae). O própio filósofo interpretou os sonhos, inclusive parte de um deles no sono, identificando em alguns de seus símbolos ( um dicionário, ima antologia de poesias, um verso de Ausônio que pergunta qual a seguir na vida, o sim e o não de Pitágoras) temas de suas reflexões filosóficas, tais com a unidade das ciências, a reunião da filosofia e da sabedoria no conhecimento. Estes sonhos provocaram meditações que culminaram com a decisão de dedicar sua vida à procura da verdade. O trabalho busca interpelar a filosofia de Descartes a partir da história de seus sonhos, em que inclui também sua poesia, estabelecendo relações entre pensamento, sonhos e verdade, explorando aspectos do mundo noturno, do par vigília/ sono, trânsito por adormecimentos e despertares, ficções e fabulações e algumas dimensões oníricas do pensamento interrogado pelo sonho e no sonho. Além da interpretação de Freud dos sonhos de Descartes, apresenta a par de outros comentários, duas leituras dos sonhos. A primeira, denomina cartesiana que procura o caráter filosófico dos sonhos e a relação com as teses teóricos posteriores da filosofiacartesiana que teriam sido antecipadas nos sonhos e indica a descoberta fundamental do terceiro sonho - a Cogitatio. A segunda, denomina bergsoniana e mística que examina os sonhos na ótica do instante e da duração no tempo e do seu quadro divinatório. Uma visão etnológica dos sonhos é ainda oferecida mediante uma abordagem calendária.
