- Autor
- JORGE MOACIR FLÔRES
- Orientador(a)
- Ernildo Jacob Stein
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Esse trabalho aborda o problema da produção de subjetividade e da analítica do poder conforme foram desenvolvidas na filosofia de Foucault e tem por objetivo demonstrar que a desconstrução da filosofia do sujeito da consciência e das teses naturalistas, que ancoram o homem no espaço contínuo da natureza, ainda resulta em uma ontologia mínima. O texto inicia pela análise do exercício do poder como resultante dos comportamentos que agem sobre outros comportamentos seletivamente, fixando-se e transformando-se mutuamente. Depois, procede-se ao exame do modo como Foucault compreende a produção de subjetividade segundo tecnologias específicas a cada momento da história. Reforça-se aí que ele não compreende a subjetividade como resultado de qualquer princípio ou esquema invariante, mentalista ou naturalista. O sujeito para Foucault é um interlocutor produzido por um regime de verdade e no contexto do tecido social. No último capítulo opera-se o contraste entre a ontologia histórica do sujeito e a teoria psicanalítica do sujeito, principalmente nas questões da interdição e no campo da sexualidade e do desejo, pois que nesses aspectos se apresentam as divergências mais consistentes entre o pensamento de Foucault e da psicanálise em direção a uma ontologia do sujeito. Conclui-se que o trabalho de Foucault além de uma ontologia histórica pode ser entendido como uma ontologia do sujeito em geral: o sujeito resulta de relações seletivas entre comportamentos, pelo processo de modelagem e remodelagem mútua e continuada.
