TEATRALIDADE E PODER EM """"CONFISSÕES DE UM REVOLUCIONÁRIO"""" DE P. J. PROUDHON.
JOÃO RIBEIRO DE ALMEIDA BORBA
- Autor
- JOÃO RIBEIRO DE ALMEIDA BORBA
- Orientador(a)
- Antonio José Romera Valverde
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2001
Pierre-Joseph Proudhon tem sido estudado como um nome importante do socialismo do século XIX, mas sem o devido cuidado. Seu pensamento abrange uma larga variedade de campos, passando por política, economia, sociologia - ciência da qual foi tão fundador quanto seu contemporâneo Augusto Comte, desenvolvendo algo mais elaborado e mais afinado com o pensamento científico da época do que ele - ;e ainda história, educação, religião, filosofia, direito e finalmente, acima de todo o resto, filosofia. Desenvolvidos pouco a pouco ao longo de aproximadamente 50 obras, toda uma vida e mais uma década de publicações póstumas, seus temas foram todos sendo articulados coerentemente através desses campos com base em poucos princípios, fazendo da sua filosofia uma atividade interdisciplinar. Quanto a Proudhon, é um pouco dessa filosofia que este trabalho pretende resgatar, trocando-a no fundo daquela diversidade de campos teóricos em que Proudhon ao mesmo tempo circula. O fio condutor escolhido para isso é uma noção muito utilizada pelos estudiosos das relações de poder - na verdade uma metáfora: a que compara certos gestos praticados por pessoas envolvidas em relação de poder com os gestos de um ator. Esse olhar sobre o teatral em Proudhon traz à tona, com muita intensidade, a questão da argumentação. Argumentar, como fazer política, envolve a manipulação de aparências para causar o efeito que se deseja. E em Proudhon, a vida coletiva é, toda ela, algo como um grande jogo de argumentações.
