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Dissertações

“TENTATIVA DE AUTOCRÍTICA”: ARTE E MORALIDADE EM O NASCIMENTO DA TRAGÉDIA

Lean Carlo Bilski

Dissertação
Autor
Lean Carlo Bilski
Orientador(a)
Antonio Edmilson Paschoal
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2011
2011Lean Carlo Bilski. “TENTATIVA DE AUTOCRÍTICA”: ARTE E MORALIDADE EM O NASCIMENTO DA TRAGÉDIA. 2011. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): Antonio Edmilson Paschoal.2

Em 1886, Nietzsche elabora o prefácio à segunda edição de O nascimento da tragédia, intitulado Tentativa de autocrítica. O intervalo de mais de 14 anos entre os dois escritos e a verve provocativa presente em toda a Autocrítica suscitaram e ainda hoje suscitam uma série de questões que não se esgotam facilmente. Também inserido no âmbito dessas questões, o objetivo do nosso estudo é verificar uma das alegações presentes na Tentativa de autocrítica, a saber, aquela que diz respeito à relação entre O nascimento da tragédia e a moral. Nietzsche determina-a, dizendo que o seu primeiro livro já volta-se contra a moral por meio de suas teses. Entretanto, se essa relação de contrariedade existe, ela não se apresenta de modo explícito na primeira obra do filósofo levada a público, precisamente porque inexiste uma análise dedicada exclusivamente ao tema da moral em O nascimento da tragédia. Mesmo assim, numa filosofia que não deixa de ser uma espécie de reelaboração constante, o olhar maduro pelo qual Nietzsche se lança à releitura de seu primeiro livro torna-se um foco privilegiado para a distinção do núcleo originário de sua própria filosofia. Diante disso, pretendemos demonstrar como a avaliação retrospectiva de Nietzsche ilumina consideravelmente as ambições filosóficas presentes em seu primeiro livro. É nesse sentido.que procuraremos investigar possíveis elementos presentes no texto de O nascimento da tragédia, cuja análise corrobore as alegações tardias de seu autor em vista da moral. Em última instância, nossa tarefa almeja demonstrar que o “esteticismo” de O nascimento — proposto pela famosa máxima de que “só como fenômeno estético podem a existência e o mundo justificar-se eternamente” — está, em certo sentido, cravado em uma profunda.contrariedade à visão moral de mundo. Razão pela qual argumentaremos que já em sua obra de estreia, Nietzsche apresenta uma oposição fundamental entre os valores morais e estéticos, advogando, como chave de leitura, pela rejeição de categorias morais em favor de um escopo valorativo concebido em termos estritamente estéticos.