- Autor
- TESSA MOURA LACERDA
- Orientador(a)
- FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2001
O conhecimento humano, segundo Leibiniz, tem como fundamento e princípio a metafísica ou o conhecimento de Deus. É porque o contingente tem sua origem ontológica no necessário que, para produzir um discurso teórico sobre o contingente, o homem deve partir da explicação de Deus. Assim, a filosofia prática, que compreende a ética e a política, deve estar alicerçada na metafísica. A peculariedade da ciência política (identificada pelo filósofo com uma ciência do direito) está em que ela não apenas busca seu fundamento na metafísica, mas diferente das demais ciências do contingente, é incapaz de constituir uma linguagem própria e autônoma em relação à filosofia primeira - Leibniz tem a intenção de constituir uma ciência acabada do direito, mas fracassa na sua empreitada. Essa característica da ciência política, por um lado, fala da limitação natural do homem enquanto criatura e de sua impossibilidade natural de compreender a infinidade que define a contingência e a infinitude do Criador. Mas, por outro lado, instiga o homem a estabelecer, no exercício da política, uma relação entre as idéias eternas da razão divina de criação, instaurada no universo como a lei imanente que define o movimento vital da criatura, deve ser efetivada também através da ação voluntária do homem. Se os homens conseguirem reproduzir em seu pequeno mundo o que existe no grande, se tiverem êxito em harmonizar sabedoria e poder no Estado, então estarão imitando eticamente a ação do grande monarca do universo e realizando plenamente sua própria natureza. Podemos dizer que a política, como ciência, parte do conhecimento de Deus e, como prática, possibilita um retorno voluntário do homem a Deus.
