- Autor
- Miguel Debiasi
- Orientador(a)
- Cecília Maria Pinto Pires
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
A transição da Idade Média para Idade Moderna traz o desafio intelectual para a fundamentação de uma nova ordem espistemológica, política e cultural. É nesta condição histórica que a teoria do conhecimento e a teoria política de John Locke articulam-se como referencial teórico para os séculos XVII e XVIII. O pensamento filosófico político liberal de Locke contrapõe-se aos intolerantes dogmas absolutos, metafísicos e teológicos na crença da autoridade divina e refuta a teoria do inatismo com base no conhecimento histórico, empírico, racionalista e cientifico. A nova ordem política vai dar fundamentação teórica ao pacto social, na constituição do Estão Civil e na consolidação do governo liberal democrático. Os sistemas filosóficos e político de Locke rompem com o pensamento clássico da tradição ocidental e com os pensadores que aceitavam as idéias inatas; rejeita a tese de Robert fFlmer, defensor do absolutismo; discorda de Hobbes, na concepção de estado de natureza; fundamenta a sociedade civil com a teoria contratualista. Com o novo conceito de natureza, Locke parte do estado de natureza e do direito natural para a constituição da sociedade civil, sendo importante o consentimento mútuo do indivíduo para a institucionalização do Estado. este, por sua vez, tem a obrigação de garantir ao indivíduo a liberdade, a vida, os bens e o livre-arbítrio. Na sociedade civil contratualista, Estado e Igreja são duas instituições diferentes e independentes, separadas e neutras, num regime de tolerância. A tolerância postula a condição de liberdade de pensar, de conhecer e de exercer o livre-arbítrio religioso. Fundamenta a posição política da primazia do indivíduo sobre a sociedade e privilegia a classe em ascensão sócio-politica-econômica. A tolerância é a condição primeira de relacionamento e de convívio social entre as pessoas, os grupos e as comunidades no sistema democrático. O principio da tolerância será sempre atual e estará no primeiro plano de debate, um pressuposto tácito para a construção do respeito mútuo. A tolerância continuará sendo o elemento do tecido social, cultural, religioso e político indispensável para a humanização da civilização mundial.
