TRABALHO, ETICIDADE E DESEJO: UMA ABORDAGEM CRÍTICA DA TEORIA MARCUSEANA.
Luciana do Nascimento Couto
- Autor
- Luciana do Nascimento Couto
- Orientador(a)
- Cecilia Maria Pinto Pires
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1996
A proposta da perspectiva conjunta entre trabalho, eticidade e desejo consiste num estudo realizado em Herbert Marcuse sobre o processo de desvalorização e deserotização do ser humano no mundo do trabalho. Busca-se o antídoto para esta patologia no seu primeiro causador, que é a propriadade privada, o trabalho repetitivo, fragmantado e alienado. A referida proposta é viabilizada a partir dos seguintes pensadores: Platão, Nietzsche e Karl Marx. Usa-se o método dialético, evidenciando o processo de construção, destruição e reconstrução do Eros, acompanhado de análises comparativas e estudo bibliográfico do tema, sendo possível abarcar outras áreas do saber para atingir o objetivo proposto. O estudo foi dividido em cinco capítulos, sendo o primeiro utilizado para a apresentação da proposta do trabalho. O segundo capítulo versa sobre a caracterização do Eros, evidenciando a sua construção. Apresenta-se diferentes explicações acerca da natureza do Eros a partir da análise mítica, bíblica e filosófica. Eros, na concepção filosófica, significa um encontro entre o saber e a ignorância, cujo objetivo é a busca constante da realização do desejo. No terceiro capítulo são analisados alguns mecanismos utilizados para destruir Eros na subjetividade. No período primitivo, esses métodos cosistiamna criação de uma memória moral, atrelada à violência física. Na sociedade moderna e contemporânea, a violência é desenvolvida em meio a técnicas mais sutis de dominação e controle.Em qualquer um dos momentos, o indivíduo vê-se cerceado em seu desejo de prazer. O quarto capítulo destina-se à verificação de como o ser humano, aniquilado em seu desejo, é facilmente dominado e usado pelo mundo do trabalho como mercadoria. A reificação do homem configura a intensidade atingida pelo processo de dominação, a partir do qual o indivíduo alienado submete-se docilmente aos desejos do opressor. No quinto capítulo são apontadas as alternativas para a reconstrução do Eros. Estas partem de mudanças profundas na infraestrutura, momento em que a ideologia da escassez e da falsa necessidade serão abolidas e o trabalho assumirá a dimensão lúdica do jogo, pois o indivíduo poderá trabalhar numa atividade segundo as suas habilidades, pois o trabalho penose será entregue às máquinas. O homem dominará a tecnologia ao invés de reverenciá-la. Em síntese, mostra-se a possibilidade de unidade entre trabalho, eticidade e desejo enquanto tarefa da filosofia. Uma vez que o ser humano encontra-se ainda limitado na satisfação dos seus desejos, procura-se o caminho para a reabilitação do Eros por meio do universo da locução, aliado ao mundo do trabalho.
