Tradição e filosofia. A peste de Atenas e a cena dramática do Cármides de Platão
ALEXANDRE SCHMITT
- Autor
- ALEXANDRE SCHMITT
- Orientador(a)
- MARIA DAS GRACAS DE MORAES AUGUSTO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
As circunstâncias históricas que integram a cena dramática do Cármides constituem elementos essenciais à compreensão dessa obra de Platão. Esse estudo procura precisar, em sua introdução, a partir de dados existentes nesse diálogo platônico e de elementos fornecidos por Tucídides acerca da Guerra do Peloponeso, a data dos fatos a que Sócrates faz alusão em sua narrativa. A data a que se chega é o ano de 429 a.C. - ano que marca a história ateniense por ser o segundo ano da grande peste que assolou a cidade. A partir da fixação dessa data, tece-se a hipótese de que a dor de cabeça de Cármides, personagem do diálogo, constitui uma referência de Platão à peste de Atenas. Partindo da idéia de que tal hipótese nunca poderá ser efetivamente comprovada, visto que os elementos do diálogo não são taxativos a esse respeito, faz-se um estudo das possíveis implicações que uma hipótese como essa teria para a interpretação do diálogo. Para tanto, no segundo capítulo desse trabalho, é feito um levantamento das referências à peste nos textos da tradição literária grega anterior a Platão - de forma mais específica, a poesia épica, a tragédia, a comédia do século V a.C., a prosa de Heródoto e de Tucídides e o Corpus Hipocraticum, bem como elementos da sabedoria pré-socrática consubstanciados em referências a Epimênides e a Empédocles - visando a fornecer subsídios para que possam ser vislumbrados possíveis diálogos estabelecidos por Platão, no Cármides, com os textos da tradição acerca da peste. No terceiro capítulo desse trabalho, são exploradas as referências à peste na obra platônica com o objetivo de se obter uma compreensão da visão de Platão acerca desse mal. São analisadas as ocorrências encontradas no Banquete e nas Leis que permitem que seja formulada a hipótese de que haja, no Cármides, uma discussão das relações entre o macro e o microcosmos, evidenciadas por referências, nesse diálogo, à doença no âmbito do corpo e da alma do homem; no âmbito da cidade; e no âmbito do cosmos. Ao se empreender tais análises, diversos outros indícios existentes no Cármides que reforçam a hipótese de que a peste está presente de forma não explícita no diálogo são encontrados e discutidos.
