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Dissertações

Transformações da Linguagem: crítica e afirmação no discurso de Nietzsche

ALEXANDER GONCALVES

Dissertação
Autor
ALEXANDER GONCALVES
Orientador(a)
Wilson Antonio Frezzatti Jr.
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANA — UNIOESTE
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2010
2010ALEXANDER GONCALVES. Transformações da Linguagem: crítica e afirmação no discurso de Nietzsche. 2010. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANA, PR. Orientador(a): Wilson Antonio Frezzatti Jr..1

GONÇALVES, Alexander. Transformações da linguagem: crítica e afirmação no discurso de Nietzsche. 2010. 163 p. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Toledo, 2010....RESUMO...Num âmbito específico, o escopo do presente trabalho consiste em demonstrar e defender a hipótese de que, demolição e criação, ou seja, crítica e afirmação são aspectos antagônicos e, ao mesmo tempo, complementares no discurso de Nietzsche, logo fundamentais para a constituição de um projeto filosófico afirmativo inclinado ao “tornar-se o que se é”. Num âmbito geral, nosso objetivo será analisar a questão da linguagem na obra de Nietzsche sob a ótica das “três transformações do espírito”, defendendo a idéia de que, no que tange à questão da linguagem, não podemos encontrar nos textos nietzschianos qualquer indício de uma “teoria nietzschiana da linguagem”, assim, o que temos são transformações da linguagem. Para Nietzsche, a constituição de uma metafísica da linguagem foi um passo decisivo para que o animal homem pudesse construir um “mundo verdadeiro” (wahre Welt), e com ele um “mundo aparente” (scheinbare Welt), em contradição (Widerspruch) com o “mundo efetivo” (wirklichen Welt). Neste sentido, a crítica nietzschiana da linguagem – primeiramente sob uma ótica retórica, e, posteriormente, nos domínios de sua psico-fisiologia – procurou desarticular os pressupostos metafísicos que desde a origem do pensamento ocidental deram suporte às narrativas de “mundos verdadeiros” e “aparentes”. No entanto, após a demolição da metafísica da linguagem nos deparamos com a seguinte questão, como ainda é possível filosofar? De fato, a abordagem crítica dos primeiros escritos por se encontrar estritamente no âmbito da negação parece não dar conta de escapar a esse questionamento, para o qual foi necessário ultrapassá-la rumo à elaboração de uma filosofia afirmativa. Neste sentido, a linguagem é tomada por Nietzsche como um organismo responsável por comunicar o “si-mesmo”, ao mesmo tempo em que é vislumbrada como uma terapêutica, uma vez que, sendo expressão de um estado interior, ela não exige do leitor a postura altruísta de perda de “si-mesmo” e acolhimento do próximo na escrita – o que indicaria, segundo o filósofo, a degenerescência da vida. Pelo contrário, ela pretende realizar no leitor um saudável egoísmo, uma vigorosa liberdade necessária à sua perene busca de si mesmo. Por fim, constatamos que, quando avaliado sob o critério da transformação, a questão nietzschiana da linguagem revela o antagonismo necessário entre a vertente crítica e afirmativa de sua filosofia, sem a qual certamente seria impossível escrever “livros tão bons”...Palavras-chave: Metafísica. Linguagem. Transformação. Crítica. Afirmação.