TRANSITORIEDADE E PERMANÊNCIA NA CONSTRUÇÃO DOS CONCEITOS PSICANALÍTICOS
Bianca Scandelari
- Autor
- Bianca Scandelari
- Orientador(a)
- Francisco Verardi Bocca
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Propomo-nos problematizar um tipo de interpretação acerca da ciência psicanalítica que a reconhece como comportando um momento identificável como inaugural e por isso de ruptura em relação às elaborações anteriores de Freud, consideradas pré-psicanalíticas. Para isso aprofundaremos uma discussão interna acerca do que poderíamos chamar de nascimento dessa ciência, bem como do ineditismo que muitas vezes é atribuído às suas teses principais, com a finalidade de definir e adotar um ponto de vista divergente do que sustenta a idéia de ruptura. Explicitaremos nossa recusa à interpretação de que a psicanálise de Freud estaria sustentada por conceitos que, a partir de um dado momento, ocuparam posições definitivas que teria lhe conferido constituição e sustentação. Antes, defenderemos uma perspectiva de continuidade bem como de um movimento nuançado em sua construção teórica. Desta forma, pensamos contribuir para o apontamento de uma espécie de transição entre o que ficou conhecido como período pré-psicanalítico e o psicanalítico propriamente dito, este último, segundo entendemos, efetivado por intuições teóricas que sobreviveram à custa de reformulações e destaques crescentes. Assim, justificamos nossa posição de que as noções fundamentais dessa ciência já estavam embrionariamente apontadas e identificadas por Freud antes mesmo de conceber, por exemplo, o método da livre associação. Outras noções que trataremos são: os mecanismos da resistência, da relação transferencial e da sexualidade na etiologia da histeria. Procuramos ainda justificar nossa tese de que tais noções, bem como o método livre associativo, não resultaram do advento da ciência psicanalítica, mas antes que oportunizaram a sua sustentação, bem como os métodos anteriores, que foram rearticulados principalmente pelo critério da eficácia de cura, este sim o fio condutor de sua reavaliação constante. Portanto, teria sido por por meio dessemovimento nuançado que a psicanálise assumiu seus contornos definitivos num movimento crescente de continuidade e articulação de suas principais noções.
