Two Dogmas of Empiricism e a “Guinada Científica” na Filosofia Analítica
LEONARDO BRUNO VIEIRA SANTOS
- Autor
- LEONARDO BRUNO VIEIRA SANTOS
- Orientador(a)
- Maria Cristina de Tavora Sparano
- Universidade
- FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ — FUFPI
- Programa
- ÉTICA E EPISTEMOLOGIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
O presente trabalho tem como objetivo analisar um clássico da filosofia analítica, Two Dogmas of Empiricism, de W. V. Quine. O impacto das teses presentes neste artigo promoveram uma revolução no âmbito da tradição analítica da filosofia. A distinção analítico/sintético, o qual é o principal alvo do ceticismo de Quine em Two Dogmas of Empiricism, é um dos dualismos mais persistentes da história da filosofia. De Leibniz à Kant, passando por Locke e Hume, este dualismo, independente do nome adotado pelos filósofos, esteve imune ao rigor dos grandes mestres. Entretanto, o século XX assistiu ao início de um debate que teve consequências significativas para a tradição analítica: de um lado os positivistas lógicos defendendo a analiticidade e do outro Nelson Goodman, Morton White e W. V. Quine colocando em xeque esta noção. O percurso trilhado no presente trabalho tem seu ponto de partida nos argumentos de Quine contra a analiticidade apresentados em Two Dogmas of Empiricism. Defenderemos que neste artigo Quine tem como alvo pelo menos quatro versões da noção de analiticidade. A primeira é a versão clássica que estipula que para um enunciado ser classificado como analítico, seu valor de verdade deve estar vinculado unicamente ao significado dos seus termos componentes. O argumento principal de Quine é contra a noção de analiticidade que depende da noção de sinonímia. Quine argumenta que mesmo ao recorrer às definições ou a permutabilidade salva veritate, não há como fugir do círculo vicioso no qual caímos com esta noção da analiticidade. A tese Duhem-Quine, ou o holismo, que Quine propõe contra o dogma do reducionismo, acaba por possibilitar que se apresente uma nova versão da distinção analítico/sintético. Defenderemos, também, que o holismo é uma tese de Duhem, sendo que Quine apenas faz uso desta tese, sem, no entanto, lhe acrescentar nada de significativo. A “guinada científica”, que seria a consequência do abandono dos dois dogmas empiristas pode ser posta em xeque, uma vez que a alegação de que filosofia e ciência não podem ser desvinculadas, ou melhor, não há uma fronteira clara entre elas, é fruto de um equívoco por parte de Quine. Como veremos, é possível fazer uma clara distinção entre filosofia e ciência..PALAVRAS-CHAVE: Analiticidade; Empirismo; Filosofia; Ciência; Epistemologia.
