- Autor
- RODRIGO BARBOSA LOPES
- Orientador(a)
- ANTONIO TRAJANO MENEZES ARRUDA
- Universidade
- UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO — UNESP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Neste trabalho abordamos, criticamente, o projeto filosófico de uma teoria naturalizada da mente no que respeita à revisão ou avaliação de alguns pressupostos da concepção clássica do sujeito e do conhecimento. Esse projeto representa o programa atual de uma filosofia analítica, desenvolvido nas disciplinas de ciência cognitiva e de filosofia da mente. Procuramos, com essa abordagem, compreender e avaliar qual a importância cedida à aproximação de uma teoria naturalizada da mente com uma certa concepção metafísica do sujeito, qual seja, a compreensão da mente como reduto essencial à fixidez do sujeito humano, e, desse modo, de que maneira a ciência cognitiva e também a filosofia da mente contribuem diretamente para a elaboração de uma ciência da cognição quando propõem uma concepção científica do sujeito; isto é, a elaboração de um novo projeto de investigação - a saber, o de naturalização - sobre o funcionamento da mente o qual reconheça a importância dos resultados científicos para o aprofundamento dos estudos sobre a cognição. A questão que se coloca é, nesse sentido, a compreensão epistemológica de que o conhecimento se construiria, substancial e não apenas formalmente, em termos de representatividade ou procedimento representacional, uma vez que o pensamento como atividade essencial do sujeito estaria fundado na bem cerrada subjetividade do cogito. Afastando-nos dessa concepção representacionista do conhecimento e metafísica do sujeito, argumentamos, criticamente, a favor do esforço teórico empregado pela filosofia da mente e pela ciência cognitiva na elaboração do programa filosófico de uma teoria naturalizada (da dimensão cognitiva) da mente (apontando precisamente para a consolidação teórica interna desse programa de pesquisa). A esse respeito, importa tanto mais sublinhar que, da parte do programa filosófico de uma teoria naturalizada da mente, aparece claramente como objetivo a desconstrução da correlação entre o conhecimento como procedimento representacional e a noção de sujeito sustentada pela metafísica da subjetividade e, assim, a rejeição da concepção representacionista do conhecimento. Dar combate, pois, a essa forma de conhecimento consiste, para um programa de naturalização e modelagem computacional da mente, em desautorizar a legitimidade da noção clássica (metafísica) do sujeito e da ordem de um pensamento que legitima a estrutura lógica do sujeito como condicionadora e constitutiva do conhecimento e da realidade dos fenômenos. Esses procedimentos formam, pois, o conteúdo abordado ao longo deste trabalho.
