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Dissertações

Um pensamento estrangeiro: a herança freudiana da desconstrução

Tatiana Ferreira Grenha

Dissertação
Autor
Tatiana Ferreira Grenha
Orientador(a)
Paulo Cesar Duque Estrada
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2004
2004Tatiana Ferreira Grenha. Um pensamento estrangeiro: a herança freudiana da desconstrução. 2004. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): Paulo Cesar Duque Estrada.2

Jacques Derrida, filósofo cuja obra é reconhecida atualmente como a mais importante no cenário filosófico francês, dedicou, como se sabe, grande parte de seu trabalho à discussão de questões relativas à obra de Freud e à sua importância como momento de ruptura com relação à tradição filosófica metafísica. Na trajetória deste """"amigo da psicanálise"""", como o próprio filósofo se denomina, vemos a tentativa de destacar na obra de Freud, uma fonte que, no seu entender, não tinha, até então, sido lida como se deveria : uma poderosa reflexão sobre o traço e a escritura..O objetivo deste estudo é o de realizar uma leitura dos principais pontos de interesse manifestado por Derrida em relação ao tema da escritura em Freud abrangendo as « noções » de traço psíquico, impressão, arquivamento, visando circunscrever, através deles, a herança freudiana da Desconstrução. Neste caminho, um desafio : o amigo da psicanálise, como diz Derrida, """"guarda a reserva ou a distância necessárias à crítica » denunciando as cumplicidades metafísicas da psicanalise, inclusive quanto à interpretação psicanalítica de « herança » e de « paternidade » tal como entendidas no contexto freudiano. Seria, portanto, impossível pensar uma relação de filiação que atravessasse a amizade entre Derrida e Freud ? Pergunta espinhosa já que aprendemos com a Desconstrução que o arquivamento de um discurso, no seu desejo de origem, não se institui senão se repetindo e não retorna para se recolocar senão no parricídio. A escritura derridiana repete incansavelmente a morte do pai. Sem a pretensão de efetuar, no entanto, um « ajuste de contas » entre os dois pensadores, o objetivo do nosso estudo rende-se à necessidade de abarcar os conceitos derridianos de herança e de circuncisão. .Se Freud repetiu, tanto na vida quanto na obra, uma lógica patriarcal na sua íntima proximidade com o desejo de origem da metafísica, há, por outro lado, algo no discurso freudiano que resite a este movimento : sua « especulação », nas palavras de Freud, seu « gesto de escritura » nas palavras de Derrida. É na afirmação deste gesto que guia a ética da psicanálise freudiana que vamos encontrar Freud em Derrida e a tomada de posição, a cada vez estrangeira, na operação da Desconstrução.