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Dissertações

Uma análise Foucaultiana do discurso da saúde

Gilberto Vilela Figueiredo Filho

Dissertação
Autor
Gilberto Vilela Figueiredo Filho
Orientador(a)
Ines Lacerda Araujo
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2009
2009Gilberto Vilela Figueiredo Filho. Uma análise Foucaultiana do discurso da saúde. 2009. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): Ines Lacerda Araujo.2

Em várias partes de sua obra Michel Foucault explora a medicina e suas estratégias. Mostra como estas se infiltram nas relações de saber e poder da nossa sociedade Para Foucault, o sujeito é constituído, e o sujeito atual tem grande parte da sua formação ligada á um cuidado de si medicalizado. O discurso atual da saúde tem grande penetração na sociedade, pois é considerado como conhecimento científico e, portanto deve ser verdadeiro. Tal fato faz a medicina tornar-se um espaço privilegiado na formação do indivíduo. A análise da formação das vozes do discurso, do cuidado do corpo, e de si, nas várias épocas da história, permitem ver como este se constitui, quem o detém e suas estratégias. Mostramos que os discursos do cuidado de si transformaram-se completamente durante a história. Com isto criaram novos saberes, e privilegiaram diferentes condições, pelas quais são formadas certas relações entre sujeito e objeto, na medida em que são constituintes de um saber possível sobre este cuidado de si. A história dos discursos da saúde no Brasil sempre foi tratada como uma solene sucessão contínua de grandes nomes e, um lento desvelar das verdades por um sujeito constituinte. Contudo esta continuidade não explica o surgimento de novos saberes como a medicina e a cirurgia estéticas, nem a influência da indústria no discurso da saúde. Para esta tarefa, solicitamos de Foucault seu método arqueológico, que isola objetos de conhecimento e estudo. Ao associar estes objetos genealogicamente às praticas que sujeitam o indivíduo ao biopoder moderno, nos dá uma visão diferente desta história heróica ou da história das idéias. Pesquisamos, pela perspectiva de Foucault, a mudança dos objetos de conhecimento que possibilitaram transformar uma medicina reparadora e curativa em uma medicina estética, e levantamos os laços entre a indústria farmacêutica, os médicos e a produção científica. Por fim estudamos o fenômeno da medicalização da sociedade. A forma como esta se apropria do discurso da saúde. Comentamos também as relações entre governamentabilidade, normalização e vigilância do sujeito, relativas a esta medicalização totalizante. Situamos a medicina alternativa e sua influência no discurso da saúde e, as estratégias da sua transformação em medicina complementar. Mostramos que ao contrário do discurso prevalente na nossa sociedade as medicinas alternativas são estratégias de uma medicalização mais abrangente. Sem nos dar alternativa medicaliza-se corpo e alma.